quinta-feira, 17 de março de 2011

Além dos muros provincianos


ALÉM DOS MUROS PROVINCIANOS
Palumbo 11
Filipe Mamede
Repórter

Um verdadeiro arauto da contracultura potiguar, o poeta Carlos Gurgel relembra também seus tempos de "Power" e "Flower" e suas influências. "Pelo Brasil, minhas influências iam desde o cinema alucinógeno e libertário de Glauber Rocha; o teatro louco e precioso de José Celso Martinez, passando pela voz insana e terrivelmente passional de Gal Costa; das intrincadas poesias e melodias do insuperável Caetano Veloso; da negritude sonora do irrepreensível Gilberto Gil; da jóia lapidada dos Mutantes, que se perpetua como eterna referência; de José Roberto Aguillar, tão irmão e devastador, apocalíptico poeta; de Hélio Oiticica com seus 'Parangolés' recheados de interfaces e símbolos; do genial Káos Jorge Mautner; de Torquato Neto assim como "um pássaro que distribuía cânticos e preces tropicalistas, Daminhão Experiença, tão assim carroça e cajado para seus desvarios com o rock e com a palavra, da coluna ‘Contracultura’; de Luis Carlos Maciel, no Pasquim; dos geniais jornais Presença e Flor do Mal; das revistas Bondinho e Música do Planeta Terra; da alimentação integral que até hoje pratico; Yoga com José Hermógenes; Festival do Sol, no Juvenal Lamartine com os Novos Baianos, e de tanto 'ínsights' que me esqueci", recorda.

Olhando por cima dos muros tupiniquins, avistava-se o que havia de bom do outro lado do Altântico. Teatro, música e literatura eram a tríade que representava, talvez, verdadeiras contravenções culturais. Menos grave que crime. Mas não menos perturbador para os incautos provincianos.

“Fora do Brasil, no mundo, o Líving Theatre, de Julian Beck e Judith Malina, assim um girassol de círculos de tensão visceral e contracultural; Frank Zappa genial com suas torres anarquistas e libertárias; assim também King Crimson (Robert Fripp), inigualáveis composições alucinadas e primordiais; também Led Zeppelin, tudo como uma arca que na voz primal e genial de Robert Plant, dissolvia a pasmaceira da lua e rua; Atomic Rooster, seu som como um irrequieto plantador de sementes; e os cults e o olimpo de Janis, Jimmi, Jim.

Os Beatles, sim, certamente. Lennon, Lennon, Lennon. Como também, os "Rolling", Bukowski, Kerouac, Ginsberg, Corso, fizeram com que o mundo abrisse com seu furor a humana e a sagrada porta onde a celebração da poesia e vida se eternizam”.

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