sexta-feira, 18 de março de 2011

Canto do Mangue



Canto do Mangue
Nelson Freire

No canto do porto,
O encanto do rio.
No espaço vazio,
O refúgio do mar
Empana-se a vela.
No barco, o dono,
Refeito do sono
Está indo pescar.

Mercado do Peixe,
 Guaiuba, Cioba
Inteira, em posta
Para se escolher.
Encontros furtivos
Nas casas vizinhas.
O sol à tardinha
 Vai desaparecer

Olhares, sorrisos
No canto da praça.
O tempo não passa
E o jeito é viver
No canto do mangue,
Olhando a paisagem,
Sentado na margem
Do rio a correr.

Mãe Luíza

















MÃE LUIZA
Geraldo Ribeiro Caldas

Mãe Luiza
Minha mãe
Vim aqui só pra chorar
Vim aqui pra encontrar
Sete estrelas
Sete sóis
Minha vara de mium
Minhas linhas
Meus anzóis
O meu velho samburá...
Mãe Luiza
Minha mãe
Garanto que já passou
Minha vontade de pescar...
Desculpe por perguntar
Por meu chincho
Por meu pé de camboim
Por meu verde trapiá...

Mãe Luiza, aquela duna
Ela agora quer andar
Na força forte do vento
Que sopra do alto mar
Tem o Deus da tempestade
Uma flauta pra tocar...
O Deus da tempestade
Tá tecendo um manto branco
Pra cobrir essa cidade...

Cavaleiro de Aruanda!
Cavaleiro de Aruanda!
Vem depressa galopando!
Vem depressa galopando!
Ê boitatá!
Ê boitatá!

Cavaleiro de Aruanda!
Traga logo um lenço branco
Pra minhas lágrimas enxugar!...

A velha Ponte de Igapó




A VELHA PONTE DE IGAPÓ
Nelson Freire

Na velha ponte de Igapó,
Bonita, de ferro, estreita, escura,
Tantas vezes passei,
Menino pequeno com medo do rio.
Com o temor de cair
Nas águas revoltas que embaixo corriam,
Vendo os trilhos do trem
Ficava intranqüilo, que alívio ao sair
 Mas o carro esperava
O aceno de alguém pra seguir sem perigo.
Bandeirolas se abriam,
Ir à zona norte era a grande emoção.
 Ver da Redinha o forte,
Guardando na volta essa bela paisagem,
Aqui dentro do meu coração.
Relembro o tempo dessa vida calma,
Quando a cidade esqueceu de crescer
Bela de ver parecendo um retrato,
As formas da ponte ao entardecer.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Pela esquina do continente


UM PASSEIO UNDERGROUND 
PELA ESQUINA DO CONTINENTE
Filipe Mamede

Palumbo, 11
Carta do Editor
Os muros baixos não impediram Natal de ouvir o grito de uma juventude rebelde, seguidores de Marcuse, clientes de Timothy Leary, influenciados pela porralouquice colorida de Andy Warhol e leitores de Allen Ginsberg e Jack Kerouac. Eram rebeldes com causas, muitas causas, consequências e inconsequências. Chacoalharam o mundo e misturaram música, literatura, teatro, cinema, artes plásticas e LSD em uma confluência apaixonada e angustiante. O momento pedia adrenalina, criatividade, entrega. A intenção era mudar o mundo pela transgressão artística e novas estéticas. Quem sabe pintar o céu pelas mãos da pop art? Soaria moderno ainda. Ora, o mundo ainda é figurativo e escravo do consumo! Mas vivemos o momento da contrarrevolução, do empobrecimento cultural. E aquele passado psicodélico ficou para trás.
O yeah, yeah, yeah cantava o amor quando o Brasil ficou submerso na ditadura e na esperança de Geraldo Vandré: nas “flores vencendo canhões”. E meio século se passou. Foi em janeiro de 1961 quando Robert Allen Zimmerman bradou seus primeiros versos folks lá com a alcunha de Bob Dylan. Dois anos depois estouraria com o hit Blowin'in the Wind e o refrão “A resposta, amigo, está soprando ao vento”. E hoje olhamos o passado, miramos o futuro sem respostas.
Um grupo de idealistas natalenses subiu a ladeira das periferias e fincaram na Fortaleza dos Reis Magos muitas perguntas, protestos e artes. A contracultura em Natal foi a favor de todos. A poesia underground e o poema processo perfumavam submundos. E ninguém desejou respostas. Queriam - viveram - liberdade. Mesmo na ponta da maconha, no pincel das telas ou nas letras das faixas clamadas pela democracia.
A nostalgia foi a sobrevivente daqueles tempos tropicais. A única, talvez. Sem respostas. Sem mudanças, a contracultura serviu para o desbunde de momentos realmente livres, mesmo sob a vigilância covarde do chumbo. O cárcere moderno está na poesia de Iracema Macedo. O mundo marginal do tempo-hoje é dos pobres marginalizados, retratados pela veia poética de Jairo Lima. O escritor Mário Ivo Cavalcanti escancara com fina ironia alguns porquês do epíteto de Natal: a 'Londres Nordestina, desde aqueles tempos ou bem antes, vocacionada ao cosmo­politismo matuto. E nessa toada apresentamos a 11ª edição da Palumbo. Rendemos homenagem póstuma ao poeta Blecaute e seus impossíveis 50 anos comemorados neste 2011, e ao poeta Bianor Paulino, falecido neste janeiro emblemático: outra figura-símbolo daquela geração explosiva da marginália potiguar, que um dia sonhou com uma California Dream ainda utópica.
UM PASSEIO UNDERGROUND PELA ESQUINA DO CONTINENTE
Filipe Mamede
Repórter
A contracultura é a crista movente de uma onda, uma região de incerteza em que a cultura se torna quântica. Tomando emprestada a expressão do Prêmio Nobel de Física Ilya Prigogine, a contracultura é o equivalente cultural do “terceiro estado da termodinâmica”, a “região não-linear” em que equilíbrio e simetria deram lugar a uma complexidade tão intensa que aos nossos olhos parece caos.

O movimento nasceu sob sombras dos horrores das duas primeiras guerras mundiais, da possibilidade de uma catástrofe nuclear anunciada pela Guerra Fria, da guerra da Coreia e do Vletnã. A União Soviética entrara num processo de crise que a levaria à Perestroika e a seu fim em 1991. Cuba se submetia aos sovietes para salvar sua revolução, a qual deu novo fôlego à luta contra o imperialismo norte-americano e às lutas contra o colonialismo, principalmente na África.

Essa também foi época de desenvolvimento tecnológico e popularização da televisão - uma máquina de prazer capaz de moldar mentes desde a infância. Praticamente toda a arte produzida no período era influenciada ou fazia referência de alguma forma à TV e ao seu universo de sonho. Entretanto, a massificação e o código de símbolos foram subvertido. E a isso se deve o forte caráter popular na arte contracultural. Em menor escala, a guitarra elétrica teve importância, afinal possibilitou o Rock ‘n’ Roll e a propagação de suas idéias através de letras de músicas.

Uma outra tecnologia teve impacto transformador no mundo real e no imaginário. A destruição de Hiroshima por um artefato atômico acabou com a 2a Guerra Mundial e colocou o fim do mundo à distância de um botão. O apocalipse nunca esteve tão perto das mentes e corações humanos. Tal possibilidade levou a um sentimento generalizado de niilismo. E esse niilismo, junto com a abundância econômica do período pós-guerra, foram fun­amentais à gestação da contracultura.

Do ponto de vista cultural, avançou a indústria cultural ao mesmo tempo em que os jovens buscavam experiências rebeldes e alternativas, como o existencialismo de Sartre e Camus, os beatníks, os junkies, os punks dos anos 1950 e 1960, os hippies, as peças de Samuel Beckett, a música de Bob Dylan, a pop art, o rock, o rhythm'n'blues, o Cinema Novo brasileiro, a Nouvelle Vague, Bergman e o cinema japonês ...

A necessidade dos jovens estava em não querer ir à guerra, em não ter uma vida medíocre, em explorar os potenciais criativos, o corpo e o prazer. Isso implicava combater a moral, os costumes, as ideologias vigentes, assim como a dedicação a um trabalho exaustivo e alienante. Para as mulheres, tratava-se de combater o machismo, assumir seu corpo (principalmente com a invenção da pílula anticoncepcional) e ter posições sociais. Para os negros, tratava-se de ter direitos civis (principalmente nos Estados Unidos e na África do Sul). De modo geral, era uma época clamando por libertação.

Essa combustão hoje cinquentenária surgiu do contexto histórico, político, social e cultural nos anos 60, atravessou décadas e quilômetros de distância e chegou à esquina do nosso continente: Natal. A irreverência e o fazer artístico criaram cenários e palcos por aqui de grandes manifestações.
Os dois maiores expoentes dessa vanguarda po e ser reconhecidos na confecção do Festival do Forte e da manufatura da Galeria do Povo, "onde convergiam poetas, artistas plásticos, atores/atrizes, simpatizantes, onde todo final de semana o local se transformava em intenso e culturalmente fértil espaço para as pessoas irem e ficarem informadas sobre o que acontecia na cena cultural de Natal'.

Capitaneada pelo artista plástico Eduardo Alexandre, a Galeria do Povo serviu de estímulo para que produtores de arte e pessoas em geral falassem, discutissem suas produções. Para Carlos Gurgel, a Galeria “virou ponto de convergência para que essa consciência fosse manifestada através da produção dos artistas e de como essa produção servia para se criar em Natal uma cena mais interessante e intensa. As pessoas queriam saber como dar início ao processo de inserir a arte, a cultura ao seu cotidiano. Elas tinham também, tomando como liberdade de expressão e de vida, o sentimento de se explorar a consciência através de experimentações surreais. E essa cumplicidade entre fazer arte e essas experimentações, desaguou em uma produção intensamente forte, criativa e contracultural”, observa.

A Galeria do Povo - como era conhecida - era um movimento artístico a céu aberto. Realizava exposições espontâneas de poesias, crônicas, artigos, recortes de jornais e revistas, artes visuais, esculturas e faixas de manifestações políticas; e tudo isso, ali na Praia dos Artistas. Com mais de 200 exposições entre os anos de 1977 a 1986, nos muros da Galeria do Povo travou-se uma luta permanente contra a ditadura militar, expondo o descontentamento do povo com suas iniciativas e juntando-se a lutas pela retomada da caminhada democrática, da anistia, das eleições diretas, entre outras.

As exposições eram sempre inéditas. Normalmente traziam uma palavra de ordem em forma de faixa de manifestação ou em letras recortadas de papel e afixadas no muro: "Por uma democracia verdadeira, por um Brasil feliz!"; "Ao povo brasileiro, o direito de escolher os seus próprios destinos, pela convocação da Assembléia Constituinte!”. “A liberdade que exercíamos na Galeria do Povo, contrariamente àquela repressão toda, era um apelo e um incentivo à grande participação que o movimento alcançou”, deixa claro. Terra de poucos artistas até então, ou pelo menos, não conhecidos, a Galeria do Povo fez surgir às dezenas, multiplicando-se em todas as áreas de manifestações artísticas. Com a Galeria funcionando todos os finais de semana no local de maior afluência popular da cidade - a Praia dos Artistas - o surgimento de outros eventos ocorreu e muitos grupos se formaram a partir daqueles encontros de pé de calçada.

Evangelhos não contados

PAISAGENS DE GURGEL
Palumbo 11
Filipe Mamede
Repórter

"Ninguém para escrever os evangelhos que estão faltando". CG

Se fossem materializadas, as lembranças do artista plástico Carlos Gurgel formariam um verdadeiro caleidoscópio humano. Pessoas, fases e manifestações. Seus pensamentos se concatenam num poema concreto saudoso, sem rima e sem métrica.

"Aqui em Natal, me lembro da Alcatéia Maldita, Cabeças Errantes, com Wlamir Cruz e Pedro Pereira, João da Rua, Novenil, a genial câmera de super 8 do amigo e inesquecível Chico Miséria, que registrava toda a cena cultural da cidade, como artes plásticas, lançamentos de livros e shows. Ele (Chico) foi figura importantíssima, que trazia para Natal shows de Jorge Mautner, Rita Lee, Fagner, Robertinho de Recife, Gilberto Gil, Morais Moreira”, cita.

Carlos Gurgel persegue as milhares de fitas gravadas por Chico Miséria e que não se sabe onde estão. “Essas filmagens que ele fez representam a memória cultural dos anos 70 na cidade”, atesta.

Ao lado de Chico Miséria, Gurgel rende homenagens a muitos outros. “Jota Medeiros, Dácio Galvão, Socorro Trindad, Lucinha Madana Mohana, o teatro de Carlos Furtado, a galeria Vila Flor, de Augusto Severo Netto e Lúcia; o Chernobyl, na Ponta do Morcêgo; o Bar do Buraco, na Vila de Ponta Negra, como também a Bodega da Praça; a pessoa e a poesia de Miguel Cirillo, papai Deífilo 'poesia' Gurgel; os dois olhos incendiários de Walflan de Queiroz, que diariamente circulava pela livraria da Av. Rio Branco; A Palhoça, vizinho ao Cinema Rio Grande, onde aos domingos assistíamos as sessões dominicais de cinema de arte; o genial e imbatível Câmara Cascudo, que privei da sua amizade por uns 15 anos; Newton Navarro, Luis Carlos Guimarães, Walter Von Berbe, o George Harisson natalense, Celso da Silveira, Eli Celso; a Barreira dos Baratos, em Pirangi; Praia dos Artistas, onde fundamos uma tribo colorida e cheia de spray; Violeta Porra, lady singer varrida e eterna; o Boy da Praia, com seus malamaleques ensaios litorâneos e cinematográficos, na casa de Fon, na praia dos Artistas, onde semanalmente atualizávamos conhecimentos e experimentações contraculturais; a casa de Clotilde Tavares, reduto de festas e laços poéticos; a Sociedade Cultural Brasil Estados Unidos, onde conheci os Vândalos: Fon Lima, Lola, Eustachio Lima; o Bar do Gato, em Mãe Luiza; o Apocalipopótese, de Jota Medeiros; e tantos outros canais e vias”, computa Gurgel.

E sentencia:

"Infelizmente, não há ninguém para escrever os evangelhos que estão faltando...”

Além dos muros provincianos


ALÉM DOS MUROS PROVINCIANOS
Palumbo 11
Filipe Mamede
Repórter

Um verdadeiro arauto da contracultura potiguar, o poeta Carlos Gurgel relembra também seus tempos de "Power" e "Flower" e suas influências. "Pelo Brasil, minhas influências iam desde o cinema alucinógeno e libertário de Glauber Rocha; o teatro louco e precioso de José Celso Martinez, passando pela voz insana e terrivelmente passional de Gal Costa; das intrincadas poesias e melodias do insuperável Caetano Veloso; da negritude sonora do irrepreensível Gilberto Gil; da jóia lapidada dos Mutantes, que se perpetua como eterna referência; de José Roberto Aguillar, tão irmão e devastador, apocalíptico poeta; de Hélio Oiticica com seus 'Parangolés' recheados de interfaces e símbolos; do genial Káos Jorge Mautner; de Torquato Neto assim como "um pássaro que distribuía cânticos e preces tropicalistas, Daminhão Experiença, tão assim carroça e cajado para seus desvarios com o rock e com a palavra, da coluna ‘Contracultura’; de Luis Carlos Maciel, no Pasquim; dos geniais jornais Presença e Flor do Mal; das revistas Bondinho e Música do Planeta Terra; da alimentação integral que até hoje pratico; Yoga com José Hermógenes; Festival do Sol, no Juvenal Lamartine com os Novos Baianos, e de tanto 'ínsights' que me esqueci", recorda.

Olhando por cima dos muros tupiniquins, avistava-se o que havia de bom do outro lado do Altântico. Teatro, música e literatura eram a tríade que representava, talvez, verdadeiras contravenções culturais. Menos grave que crime. Mas não menos perturbador para os incautos provincianos.

“Fora do Brasil, no mundo, o Líving Theatre, de Julian Beck e Judith Malina, assim um girassol de círculos de tensão visceral e contracultural; Frank Zappa genial com suas torres anarquistas e libertárias; assim também King Crimson (Robert Fripp), inigualáveis composições alucinadas e primordiais; também Led Zeppelin, tudo como uma arca que na voz primal e genial de Robert Plant, dissolvia a pasmaceira da lua e rua; Atomic Rooster, seu som como um irrequieto plantador de sementes; e os cults e o olimpo de Janis, Jimmi, Jim.

Os Beatles, sim, certamente. Lennon, Lennon, Lennon. Como também, os "Rolling", Bukowski, Kerouac, Ginsberg, Corso, fizeram com que o mundo abrisse com seu furor a humana e a sagrada porta onde a celebração da poesia e vida se eternizam”.

Teatro Marginal




TEATRO MARGINAL
Palumbo, 11
Filipe mamede
Repórter

Nos anos 70, a poesia marginal e alternativa se fez presente através do surgimento de coletivos como o Grupo Cabra e ainda com a oficina de criação Aluá Edições Alternativas, dos quais fez parte o poeta Aluízio Matias. A década do milagre econômico brasileiro foi período importante para a cultura e os artistas alternativos potiguares, anos necessários para extravasar o lado criativo de vários grupos. O Grupo Cabra era um grupo multicultural composto por poetas, músicos, artistas plásticos, atores, jornalistas e que tinha muitos contatos com a região Nordeste do Brasil, principalmente Paraíba e Bahia.

“Nesse tempo surge também o Grupo Aluá que não era só um bando de artistas jovens e rebeldes. Tínhamos uma proposta de fazer uma verdadeira revolução estética e política nas Artes, e o meio da rua era nosso palco”, explica Aluízio.

Com a produção intensa surgiram contatos com o Grupo Jaguaribe Carne (Pedro Osmar, Chico César e Paulo Ró) e as inúmeras edições do Dia Nacional da Poesia, todo 14 de Março, bem como os Festivais de Artes e centenas de publicações de livros da Aluá.

“Nós da Aluá tínhamos a influência política de Che Guevara e a vanguarda poética dos Novos Baianos. Essa época foi um período ainda turbulento da repressão política e grande parte dos integrantes eram metidos com o Movimento Estudantil, criação de Partidos de Esquerda e partícipes de vários movimentos de vanguarda, a exemplo do Poema Processo”, cita o poeta, que relembra ainda um caso ocorrido no Dia da Poesia, em meados de 82.

“Existiu na época da campanha política de Aluízio Alves e José Agripino o roubo dos '94 Milhões da Emergência' (um acusava o outro de ter roubado o dinheiro). Foram feitas passeatas do 'Pega Ladrão' e nós criamos no Dia da Poesia a passeata do ‘Pega Poeta’. A Aluá tambérn resolveu lançar, à noite, no Teatrinho Sandoval Wanderley, a Antologia de Poesias "94 Poemas de Emergência”. “No processo de rodar o livro, o mimeógrafo quebrou e não conseguimos completar toda a edição do material. E agora? O que dizer ao público presente no Teatrinho?

Foi aí que Ciro Pedroza inventou que os originais da Antologia tinham sido roubados. Explicamos isso no palco e para nossa surpresa no outro dia o caderno de cultura do jornal A República exibiu a seguinte manchete: “Roubo de originais tumultua o Dia de Poesia”, relatando em uma matéria super séria o que tinha acontecido com o episódio dos 94 Poemas de Emergência”, conta Aluízio aos risos.