sábado, 29 de maio de 2010

Documento que pode salvar o Machadão


 Combinemos

OS MISTERIOSOS ATRASOS PARA INICIO DAS OBRAS DA COPA 2014

Mais um adiamento, mais um embuste.
A FIFA, nada preocupada, sabendo que pode descartar Natal em qualquer tempo, sem maiores explicações,  pois é portadora de um Termo de Compromisso assinado por nossos governantes, submisso e humilhante, declinando de nossa soberania em troca de um lugar no banquete dos europeus. O povo não sabe disso.

Essa leviandade pode nos levar a ficar de tanga, sem lenço nem documento, sem Machadão, sem Machadinho, sem Arena das Dunas, sem Copa, sem “legado”, com uma baita dívida, e ainda, com cara de palhaços.

Essa PPP é um grande negócio para o Parceiro Privado, que vai ganhar muito com dinheiro do BNDES,  tendo o Estado como fiador. Quer dizer, se o parceiro não pagar, o fiador paga através de um Fundo Garantidor  que vale muito mais do que sua “avaliação” e do que o próprio empréstimo (alguém vai se locupletar com isso).

Do mesmo modo, o uso e exploração comercial da pretendida Arena das Dunas concedida ao Parceiro Privado poderá ser um fracasso, pois a SECOPA já admitiu publicamente que o futebol não lhe dará sustentação. Porém, se não for possível trazer para Natal uma Lady Gaga, uma Madonna ou uma Amy Winehouse,  um Barcelona ou a Copa da UEFA, teoricamente, o Parceiro Privado não terá prejuízo, pois   um Fundo Garantidor lhe dará cobertura, por mais de trinta anos.
    
Não entendo por que não divulgam o nome desses consórcios. Eles existem ,sim, estão entrando em todas com bastante apetite. Já têm suas propostas prontas há muito tempo, pois a coisa cheira a “combinemos”.
    
Se um consórcio de empresas de grande porte não consegue tecnicamente elaborar um orçamento em 45 dias, levando-se em conta que a “generosa” legislação  vigente permite licitações de obras públicas orçadas sobre Projetos Básicos e não sobre Projetos Executivos, facilitando os famigerados aditivos superfaturados,  indutores da corrupção generalizada neste paraíso  dos mensalões, foliadutos,  copadutos, propinas na cueca  e  coisas semelhantes, deve haver alguma muganga.
    
É verdade que o plano “A”, aquele mega projeto imobiliário anunciado no começo, abortado por interferência do Ministério Público e de alguns segmentos importantes da sociedade, reduziu o tamanho do “pacote” e arrefeceu o ímpeto dos investidores, mas, mesmo assim, ainda é um bom “negócio”, deixando, porém, um risco para o empresário ao assumir o compromisso de manutenção da coisa, sem receita, por mais de trinta anos, tendo por garantia apenas uma contrapartida duvidosa e um fiador que é mudado a cada quatro anos.
  
Assim, o “único prazo cumprido” até hoje foi a brutalidade da demolição da creche para fingir aos parceiros da CBF/FIFA o inicio de obras, deixando muitas crianças ao desabrigo, verdadeiro crime de lesa pátria.  Esse adiamento, portanto, é mais um blefe nesse universo de mentiras e de propaganda enganosa, por isso,acredito que “alguém” vai se interessar.
     
Está mais parecido com uma estratégia para empurrar o “abacaxi” para o próximo governo, que ficará sujeito à chantagem  da chave de roda “ou copa ou morte”, que apequenou os legislativos do Município e do Estado no receio de serem acusados pela “morte” da cidade, fazendo-os  descumprir o importante preceito constitucional de seus mandatos na defesa do patrimônio público.
    
Sem dúvida, a parte sadia e sensata da sociedade repudia essa esdrúxula idéia de demolir todo um patrimônio público de valor imaterial incalculável, e de valor pecuniário  em torno de R$ 2 bilhões, e em seu lugar assumir um débito de R$ 420 milhões, para um evento de curta duração, sob promessa de um “legado” de desenvolvimento, que o mundo inteiro sabe  que na Copa da África do Sul foi um fiasco e só deu lucro à FIFA e seus apaniguados.  Os paspalhos de lá foram também anestesiados pela propaganda enganosa.
    
Parece que querem meter essa saia justa na futura Governadora, que, sabendo  da situação caótica em que se encontra o Estado, e pela sua própria experiência bem sucedida de gestora pública, por certo não cairá nesse  “Canto das Sereias”, e certamente encontrará  uma solução sensata para manter Natal na Copa, salvo se o propalado  “convite” da CBF/FIFA  também tenha sido parte da farsa .

Basta que determine a mudança desse modelo escorchante e perverso de PPP, e a execução do “Elefante Branco” em terreno do próprio Estado no prolongamento da Av.Prudente de Morais (Av. Omar O’Grady) ou ainda, em qualquer município da região metropolitana de Natal que tenha fácil acesso às BR 101 e 304, evitando o gargalo do Machadão e respectivo impacto e degradação ambiental,  principalmente  impedindo a extinção do futebol do Estado, que, em última análise, é a alegria do povo pobre.

O Machadão pode não servir para o luxo exigido pelos europeus ricos, mas vem servindo há quase quarenta anos ao futebol local e ao campeonato brasileiro com passado reconhecidamente glorioso, para nossas modestas condições.
    
Falta uma consulta aos cidadãos e uma reflexão honesta sobre a relação custo/benefício entre aplicar quase meio bilhão de reais numa arena para dois ou três jogos provavelmente de menor expressão ouinvestir em saúde pública, educação, segurança, saneamento, etc.

Pergunta  importante, todo esse “legado” prometido vem  a fundo perdido ou é emprestado? Se o governo federal está emprestando dinheiro ao FMI, perdoando os seus devedores, está  até querendo investir no turismo de Cuba, será que não poderia nos custear uma bolsa-Copa?

O Estado de São Paulo até hoje se nega a gastar dinheiro público da forma irresponsável como quer a FIFA. Quero ver se vai ficar fora da Copa.
    
Louve-se a preocupação dos Tribunais de Contas, do Ministério Público, da imprensa e do segmento mais esclarecido da população em todo o pais no acompanhamento das ações referentes a essa copa, sobretudo tentando evitar a repetição dos erros e desmandos  dos jogos olímpicos de 2007.

Aqui em Natal, recomenda-se à população que procure conhecer a Ação Civil Pública de nº 001.09.030713-6 impetrada pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte, através do GRUPO DE ATUAÇÃO ESPECIAL PARA ACOMPANHAMENTO DAS ATIVIDADES RELATIVAS À COPA 2014 – GAEP  COPA 2014, ora tramitando  na 3ª Vara da Fazenda Pública, cuja peça vestibular não deixa nenhuma dúvida sobre as  ilegalidades cometidas  desde o início desse misterioso  processo, bem como é importante que o povo tome conhecimento  do Inquérito Civil n° 019/2009 da Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente, no sentido de apurar os graves problemas ambientais decorrentes desse projeto naquele local inadequado.
    
Essas ações são instrumentos de defesa que poderão evitar o grotesco vandalismo que os governos estadual e  municipal  atuais pretendem perpetrar irresponsavelmente  contra o patrimônio público.

       
Natal, 11 de novembro de 2010                                        
                                                                    
Moacyr Gomes da Costa   -   Arquiteto
 


Em 10 de agosto de 2010


Fundo garantidor da PPP



Moacyr Gomes da Costa


Simplesmente lamentável a pretensa audiência pública de hoje na Assembléia Estadual, vendedores de geladeira a esquimós, travestidos de secretários, pregando as mesmas mentiras, querendo arrancar dos deputados um cheque sem fundo nesse negócio enrolado de fundo garantidor de PPP, depois de passar facilmente, como era esperado, pela comissão de Justiça.

O moço do Ministério dos Esportes disse que o legado só virá se houver arena, mas não soube responder aonde vão arranjar receita para sustentá-la, conforme oportuna pergunta do Deputado José Dias. O outro, da Secopa, disse que seria multiuso, isto é, além de ABC, America, Alecrim, Baraúnas, etc., deu a entender que podia-se contar talvez com Barcelona, Real Madrid, etc., fora shows internacionais, recepções, casamentos,batizado
s e até velório, tudo suficiente para pagar o empréstimo do Parceiro Privado durante mais de trinta anos, deixando lucro, é claro, dando até para pagar a folha de pagamento dos funcionários.

Povo, mesmo, não tinha quase ninguém. Parece que todos capitularam diante da força esmagadora do "rolo compressor" FIFA/CBF.

O legado virá na “ marra” como foi na Copa da Africa? Era visível o constrangimento dos participantes da pantomima.

As poucas perguntas que ocorreram tiveram respostas evasivas, o presidente da FNF, principal responsável por nosso futebol, protestou contra o menosprezo dos gestores públicos à sua instituição, até porque, dias atrás, a Prefeitura, por maioria dos “seus” vereadores, doou ilegalmente e irresponsavelmente todo o patrimônio do Machadão ao Estado, para que o mesmo o repasse para investidores privados, de graça, sem ouvir sequer a opinião da FNF, que foi a verdadeira doadora daquele patrimônio à Prefeitura.

A professora Nadja Cardoso protestou contra a demolição do Machadão e equipamentos vizinhos, alegando racionalmente que seria ganho de tempo e custos construir a nova arena em qualquer outro lugar, ficando o patrimônio com 2 estádios ao invés de apenas um, mas o arguto demolidor replicou que a reforma do Machadão seria impossível, que tinha deficiências de toda espécie, inclusive falta de estacionamento, deslavada mentira, pois ele sabe muito bem, tanto quanto os senhores Gustavo Carvalho, Wagner Araujo, Adalberto Pessoa, Ney Dias, Carlos Eduardo Alves, Carlos Eduardo Câmara e a Sra Magnólia Figueiredo, que o estudo apresentado à CBF e discutido exaustivamente com a comissão da FIFA, atendia a todos os requisitos exigidos no caderno das especificações, e, enquanto ao meu lado ele participava da sabatina, tudo indica, estava contratando, a peso de ouro, sem licitação, uma empresa de contadores públicos e não de engenheiros ou economistas, que, afinal, foi quem decidiu demolir o Machadão exigindo que fizessem um outro estádio no mesmo lugar, alegando o arquiteto contratado o critério de "amor à primeira vista" para escolha do local .

Quem quiser, tente adivinhar o QI (Quem indicou?) da referida empresa. Enquanto isso, todos sumiram rapidamente.


Em 15 de julho de 2010


Jornal de
Roberto Guedes

COPADUTO (01)

Jornalista recorre ao MP contra demora no tombamento do estádio de futebol
Autor de um pedido de tombamento do estádio municipal João Machado como patrimônio cultural do Rio Grande do Norte que dormita desde o fim de maio último no gabinete da presidência da Fundação José Augusto, braço cultural do governo do Estado, o jornalista e produtor cultural Eduardo Alexandre Garcia, criador da famosa “Galeria do Povo”, na praia dos Artistas, resolveu pedir que entre em campo o poder judiciário e o ministério público.

Ontem, quarta-feira 14, ele enviou aos promotores públicos Gilka da Mata e João Batista Machado, integrantes da Coordenadoria de Apoio às Promotorias de Defesa do Patrimônio Público, uma cópia do pedido de tombamento, com duplo objetivo. Por um lado, deseja que o “parquet” estadual verifique o acerto da reivindicação. Por outro, quer que conheça a desatenção que lhe concedeu a presidência do órgão cultural do executivo estadual.

Integrante de família muito ligada ao esporte, “Dunga”, como Eduardo Alexandre é tratado pelos amigos, resolveu pedir o tombamento para evitar a destruição do estádio, também conhecido como “Machadão”, e do ginásio de esportes Humberto Nesi, também referenciado como “Machadinho”, para cederem lugar ao “Arena das Dunas”, estabelecimento idealizado para acolher jogos da Copa do Mundo de Futebol de 2.014.

A indicação dos promotores foi-lhe apresentada pela bacharel Izabel Pinheiro, titular da Coordenadoria de Apoio às Promotorias de Defesa do Patrimônio Público, Combate à Sonegação Fiscal e Defesa das Fundações, à qual Eduardo Alexandre havia recorrido há poucos dias, quando decidiu submeter a questão ao poder judiciário, conforme registrou então o “Jornal de Roberto Guedes Via e-mail”.

Este é, na íntegra, o ofício que ele encaminhou a Izabel:

“Excelentíssima Senhora
Isabel Pinheiro

Há mais de um mês, protocolei pedido de tombamento do Machadão e do Machadinho (28 de maio p.p., cópia de documento abaixo, assinado como recebido pelo protocolista Cícero Duarte Costa) junto à Fundação José Augusto.
Até a presente data, a instituição, que tem a obrigação legal de defender o patrimônio histórico, cultural, artístico e arquitetônico do Estado, sequer dignou-se a me fornecer número de protocolo do documento nem sua assessoria de comunicação está autorizada a prestar qualquer esclarecimento a respeito.
Diante do fato, venho, respeitosamente, a esta Promotoria do Ministério Público, saber da possibilidade de acompanhar tal processo, cobrando da presidência da referida entidade dar encaminhamento legal ao pedido de tombamento dos referidos bens públicos, como a lei em questão exige e assegura a qualquer cidadão.
Certo de contar com o acolhimento, manifesto meus respeitos e considerações
Em Natal, RN, 14 de julho de 2010.
Eduardo Alexandre de Amorim Garcia”.

COPADUTO (02)

Responsável pela atração da Copa quer

lançar edital sem licença ambiental

É sem o menor respeito pela legislação pré-existente que os gestores públicos mobilizados pelo projeto de atração de jogos da Copa do Mundo de 2.014 para Natal querem agir no sentido de recuperar os prazos que perderam ao longo de mais de dois anos de vinculação com a entidade responsável pelo certame, a Federação Internacional Association (Fifa).
Isto é o que ficou evidente nesta quarta-feira, 14, ontem, quando o jornalista e industrial Fernando Fernandes de Oliveira, titular da secretaria especial para a Copa criada no âmbito do governo estadual, declarou que o edital das obras de mobilidade urbana deverá ser lançado sem a licença ambiental e os alvarás de construção e instalação.
Como se sabe, o respeito às normas que exigem precedentemente a licença ambiental e alvarás existe para todos os norte-rio-grandenses e natalenses. Os construtores do “Copaduto”, como o jornalista Alex Medeiros, colunista do vespertino “O Jornal de Hoje”, batizou o time de autoridades que montam as jogadas da copa em Natal, consideram-se acima da exigência porque deixaram se estreitar perigosamente o prazo que a Fifa concedeu às cidades que, como a capital potiguar, se habilitaram a figurar como sub-sedes na Copa de 2.014.
Segundo o Secretário, impõe-se passar por cima da licença e dos alvarás para que o edital visando a construção do estádio “Arena das Dunas”, até hoje mera concepção holográfica em computador como cenário para a versão natalense da Copa do Mundo, seja publicado nos próximos dias. “A busca das licenças atrasaria o processo”, argumentou.


Em 09 de julho de 2010

Vitória da chantagem

A Câmara Municipal de Natal ofereceu, nesta última quinta-feira, 8 de julho de 2010, mais uma vergonhosa colaboração ao projeto nacional de levar o Brasil a uma ditadura nos moldes da Venezuela, no triste episódio da discussão sobre o pretenso “EXTERMÍNIO” do patrimônio público constituído pelo chamado Complexo do Machadão, (cuja defesa seria constitucionalmente de sua obrigação), permitindo sua DOAÇÃO ao Estado, para que o mesmo repasse a uma empresa privada com o objetivo de cumprir o provável assalto ao erário, o qual está sendo batizado de “COPADUTO”, com inequívoca cumplicidade dos gestores públicos.
Cumpre registrar nominalmente os cinco vereadores que honraram seus mandatos tentando dialogar democraticamente em defesa dos bens do povo. São eles: Ney Lopes Jr, Prof. Luis Carlos, Raniere Barbosa, George Câmara e Sargento Regina, os quais, apesar da torpe ameaça de jogá-los contra o povo, através da chantagem nazi-fascista “quem for contra a doação é contra a Copa e contra Natal”, proferida pelo líder do governo e acompanhado cordeiramente pelo resto, mesmo assim, não se deixaram intimidar.
Portanto, não houve discussão, tudo ocorreu às carreiras, de cartas marcadas, em obediência canina aos prazos da FIFA, parecendo ser, no momento, mais importantes do que a própria DIGNIDADE E SOBERANIA NACIONAL. Trocaram a discussão responsável e obrigatória sobre alienação de patrimônio público por indecorosa arenga político-eleitoreira.
Tudo começou com uma emenda do vereador Ney Lopes Jr. pretendendo substituir no esdrúxulo Projeto de Lei o termo DOAÇÃO por CESSÃO, provando que este ultimo seria uma forma de garantia de retorno do bem ao cedente, proposta derrubada pela claque sob o argumento do vereador Hermano Morais, de que a doação seria uma garantia para o doador, e, pasmem, para o donatário, PPP, ainda desconhecido (cheque em branco a portador abstrato).
Os defensores da simples cessão disseram com muita propriedade: "quem doa não recebe de volta e quem cede apenas empresta", e, ainda mais, numa parceria do gênero, se um dos parceiros exige a doação, é porque está de ma fé e não pretende devolver o bem.
Ora, não se trata de simples questão de hermenêutica, mas de ordem prática. Uns alegaram que o contrato diz que o bem seria devolvido até 35 anos depois, com TODAS AS BENFEITORIAS, e, eu, pergunto: e se o contrato for desfeito por qualquer motivo, após a demolição dos BENS EXISTENTES, antes da construção da arena, a parcela dos bens exterminadas restaurada ou RESSUSCITADA, para devolução do patrimônio em seu valor original? Ou seja, vão devolver o Machadão e Machadinho inteirinhos, ou a PPP VAI NOS INDENIZAR EM MOEDA CORRENTE, ou quaisquer outras GARANTIAS, e, aí, ficaremos sem estádio, sem ginásio, sem Arena das Dunas, sem Copa, igual ao caipira que caiu no conto do vigário? Não seria mais simples e racional construir a arena em qualquer das INÚMERAS glebas oferecidas pelo Estado como FUNDO GARANTIDOR do negócio... ou negociata ?
Nesse episódio, a chantagem saiu vitoriosa. Vamos aguardar a Assembleia Legislativa e o Ministério Público. Deus nos proteja, Amem.

Moacyr Gomes da Costa – Arquiteto



Em 07 de julho de 2010
No Twitter


Eduardo Alexandre
Dunga53 @blogdobarbosa Por favor, a FJA já deu algum encaminhamento ao pedido de tombamento do Machadão?

Carlos A. Barbosa blogdobarbosa @Dunga53 Amigo, acho que vc já falou com Gilson sobre isso. É a pessoa certa pra vc perguntar.

Eduardo Alexandre Dunga53 @blogdobarbosa Amigo, a resposta que tive foi a de que o presidente ainda não recebera o pedido. A ASCOM/FJA não pode informar a respeito?

Carlos A. Barbosa blogdobarbosa @Dunga53 Não. Como disse, a melhor pessoa para reponder isso é o chefe de Gabinete.

Eduardo Alexandre Dunga53 @blogdobarbosa Vôtis, Barbosa. A ASCOM/FJA só serve pra fazer/remeter release? Não pode dar uma informação jornalística a quem precisa?



Eduardo Alexandre Dunga53
  1. Há mais de um mês, protocolei pedido de tombamento do Machadão na FJA. Alguém sabe que encaminhamento foi dado ao processo?
Carlos A. Barbosa blogdobarbosa @Dunga53 Amigo, com todo respeito, isso não é informação jornalística. Trata-se de um assunto jurídico e que não compete a ascom.

Eduardo Alexandre Dunga53 @blogdobarbosa Desculpe, Barbosa: o assunto tombamento é funcional e não jurídico ainda. E compete à ASCOM/FJA prestar infos jornalísticas.

Carlos A. Barbosa blogdobarbosa @Dunga53 Como já disse, quem pode lhe informar sobre isso é o chefe de Gabinete, Gilson, que vc conhece.




Tiraram a tampa da lixeira
Moacyr Gomes da Costa*
Caiu a máscara. A sujeira está escancarada: o governo confessa no Diário Oficial do Estado do último dia 22, que vem enganando o povo há muito tempo sobre essa fantasia chamada Arena das Dunas.
Tudo começou em setembro de 2008, quando o ex-secretário de Turismo, e atual todo-poderoso dono da Copa 2014, foi ao Rio expor à CBF um estudo de adequação do Machadão para a dita Copa, e voltou sorrateiramente com um contrato milionário de consultoria e projeto visando demolir o próprio Machadão e adjacências, para dar lugar a uma arena multiuso, rodeada de um mega-projeto de cunho especulativo-imobiliário.
Em princípio, informava que tal arena seria projetada pela empresa HOK SVE, de grande renome internacional no assunto, mas, na realidade, foi contratada, sem licitação, em seu nome, uma empresa desconhecida, a Coutinho, Diegues, Cordeiro Arquitetos, que elaborou uma maquete eletrônica e logo depois abandonou a tarefa.
Mais adiante, surgiu o arquiteto Felipe Bezerra como co-autor (co-autor de qual autoria?) e, ao que se sabe, após o dispêndio de R$ 3,6 milhões, fora viagens ao estrangeiro, propaganda enganosa, carnaval de rua e compra de silêncio (não se sabe ainda quanto custou o uso do acervo promocional da HOK nem da co-autoria registrada), no meio do ano passado, mais um contrato sem licitação foi assinado com uma fundação, por mais de R$ 600 mi, para uma falsa licença ambiental com o fim de demolir o patrimônio, e; mais recentemente, a estúpida demolição da creche Kátia Fagundes, deixando 160 crianças sem estudo. Demolição que custou, também sem licitação, um preço absurdo, que, num país sério, levaria gente a ver o sol quadrado.
Por fim, o governo confessa que, de fato, não tem projeto de espécie alguma; que jogou o dinheiro do povo pelo ralo; que mentiu quando disse que tudo seria pago pela iniciativa privada, mas, na realidade, será tudo custeado pelo dinheiro do povo e, certamente, vai ainda chantagear os poderes legislativos, como já vem fazendo, para permitirem doar a uma empresa privada um patrimônio que vale, no mínimo, quatro vezes mais do que o empréstimo pretendido, a título de garantia de uma transação que já deverá ter suas cartas marcadas.
Tudo cheira a uma gigantesca partilha dos bens e direitos públicos.
Por outro lado, a imoral inexigibilidade de licitação contida nos contratos de 27 milhões publicados no Diário Oficial acima referido, representa o cerceamento do direito de competir dos profissionais de arquitetura e engenharia de Natal (para que universidades formando anualmente centenas de arquitetos, urbanistas e engenheiros?), devendo caber ao Clube de Engenharia, Sindicato dos Engenheiros, SENGE, IAB/RN, aliados à OAB e ao Conselho de Economistas, com o patrocínio do CREA/RN, o pedido de recurso ao Ministério Público contra a lesão dos seus direitos postergados pelo “rolo compressor” da improbidade administrativa.
Outrossim, cabe a pergunta ao IAB/RN, tradicional defensor dos valores culturais, arquitetônicos e históricos: se o Machadão tem algum desses valores, por que não apoiar o pedido de seu tombamento solicitado pelo cidadão Eduardo Alexandre Garcia, à Fundação competente, até agora, autoritariamente, sem resposta?
A sociedade precisa ter ciência da Ação Civil Pública nº 001.09.030713-6, requerida pelo Grupo de Atuação Especial para Acompanhamento das Atividades Relativas à Copa 2014 – GAEP COPA 2014 e do Inquérito Civil Público da Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente.
A sociedade brasileira não pode capitular diante de mensalões e foliadutos. Precisamos eliminar todo esse lixo.
*Arquiteto – 7473 D – CREA RJ
Natal, 27/06/2010

A PROVA DA FARSA
Dr. Carlos de Miranda Gomes
Ao tomar ciência das últimas notícias sobre os procedimentos para a construção da “Arena das Dunas” e conhecer alguns dados alarmantes, inevitavelmente entrei em depressão. Não pelo fato da possível demolição do Machadão e o restante do complexo de prédios, pois nada material é eterno, mas pelo descaramento de um lado e a omissão de outro sobre as farsas que estão sendo perpetradas contra o povo do nosso Estado.
Há alguns dias publiquei artigo sobre o "Início da Farsa", quando resolveram demolir a Creche Kátia Garcia e não colocaram outra em seu lugar, a teor das reclamações dos pais ventiladas na imprensa.
Mas agora, para a análise e meditação dos cidadãos e dos defensores da fúria demolitória, estou anexando os extratos dos contratos celebrados e publicados no DOE do dia 22/6: um de R$ 12.670.000,00 para serviços dos projetos complementares para a Arena das Dunas; o outro, no valor de R$ R$ 14.885,450,00 para elaboração do projeto arquitetônico e documentação para o novo Estádio Arena das Dunas. Observe-se, quem assinou os contratos foi o Sr. Armando José e Silva, porque o Fernando Fernandes está na sede da Copa de 2010.
Mas não tinha sido paga uma boa quantia para um mirabolante projeto apresentado por Fernando Fernandes e difundido até hoje, com juramento que era o tal projeto?
A verdade é que nunca houve projeto nenhum, mas o dinheiro foi pago e TUDO COM INEXIGIBILIDADE DE LICITAÇÃO, com parecer da Procuradoria do Estado, que agora quer incorporar a Consultoria Geral.
Este fato precisa de explicações convincentes e urgentes e para isso devem ser convocados o Tribunal de Contas, o Ministério Público, a Assembléia Legislativa do Estado, a Câmara Municipal, o CREA e demais órgãos que tenham interesse na moralidade pública.
Como anda o processo de tombamento? Como se posicionou a Controladoria Geral do Estado?
Ao dizer isso, quero lembrar que quando fui o seu titular passei por momentos difíceis e tive a coragem de sustar os registros dos processos de pagamentos enquanto não se cobrisse a dotação para pagamento dos servidores públicos; sustei a venda, através de “leilão”, de grande área de terreno pertencente ao DER. Jamais tive medo de ser exonerado e não o fui, porque tive a coragem de advertir os meus superiores para as coisas erradas e ser por eles ouvido. Nunca pequei por omissão.
Mas hoje já não sou nada, pois não ocupo nenhum cargo público, não tenho dinheiro e não sou capaz de fazer mal a ninguém, daí não ser mais registrado em nada e até já fui excluído dos compêndios das figuras ilustres da sociedade e já não recebo muitos convites para eventos oficiais. Aliás, quero mesmo que não me convidem, pois não suporto os cínicos e bajuladores.
Contudo, é do meu destino não ficar calado e estarei presente, mesmo que várias e graves enfermidades me sejam companheiras nos tempos atuais. Enquanto tiver um sopro de vida participarei dos debates em favor do povo da minha terra e combaterei os ‘fichas sujas’ através de artigos que envio para a imprensa e nem todos são publicados e agora através do meu ‘blog’ http://mirandagomes.zip.net ou cara a cara nos encontros fortuitos ou programados nas livrarias, sebos, plenários, audiências públicas.
Quero a ajuda dos meus amigos para me aconselharem para não cometer excessos, através das dezenas de e-mails que recebo, graças a Deus. Estou vivo, lúcido, ainda que sem saúde plena.
Nem mesmo sei se valeria essa briga toda contra a demolição absurda do Machadão, em detrimento de tantas obras estruturantes indispensáveis para melhorar a qualidade de vida do nosso povo, pois não tenho a certeza de estar neste mundo na Copa de 2014.
De qualquer forma, estimarei ouvir o clamor do povo e a providência das autoridades.
Se isso não vier, gostaria que a implosão do velho Machadão, também alcance certos órgãos públicos que não funcionam e com quem estiver dentro deles.
De antemão confesso-me INDIGNADO e inteiramente CÉTICO com as coisas deste País e, particularmente, do Rio Grande do Norte e da cidade do Natal.
Com extrema tristeza, mas com o respeito de
Carlos Gomes
ANEXOS:
Processo Nº 74349/2010-7 – SETUR
Interessado: POPULOUS ARQUITETURA LTDA
Assunto: Inexigibilidade de Licitação – Prestação de Serviços especializados para a elaboração do projeto arquitetônico do “Estádio das Dunas – Novo Machadão”
Termo de Inexigibilidade de Licitação
Para os fins do art. 26 da Lei nº 8.666/93, com as alterações posteriores, DECLARO a INEXIGIBILIDADE DE LICITAÇÃO para a prestação de serviços especializados para a elaboração do projeto arquitetônico e documentação para um novo estádio em Natal/RN com capacidade mínima de 45.000 assentos individuais, a ser elaborado de acordo com as normas da FIFA para a Copa do Mundo de Futebol, abrangidas as fases de Projeto Básico, Projeto Executivo e Administração de Obras, o que faço com base no preceituado pelo caput do art. 25, II da Lei 8.666/93, e, via de conseqüência, AUTORIZO a contratação direta da empresa POPULOUS ARQUITETURA LTDA, inscrita no CNPJ sob o n.º 10.736.110/0001-70, limitada ao valor global de R$ 14.855.450,00 (quatorze milhões, oitocentos e cinquenta e cinco mil, quatrocentos e cinquenta reais), lançando-se a despesa com a contratação dos serviços à conta dos recursos alocados a esta Pasta, assim classificados: Dotação Orçamentária: 28.101.27.811.2804.12391 – Realização da Copa do Mundo 2014 em Natal - Elemento de Despesa: 3390.35 – Serviços de Consultoria – Fonte 100.
Natal, em 31 de maio de 2010.
Armando José e Silva
Secretário Adjunto.
(DOE 22/6/2010)
PROCESSO Nº 56501/2010-9 – SETUR
INTERESSADO: Stadia Projetos Consultoria e Engenharia Ltda
ASSUNTO: Inexigibilidade de Licitação – Prestação de Serviços Especializados Para a Execução de Projetos Complementares e Gerenciamento do Projeto “Estádio Das Dunas”
Termo de Inexigibilidade de Licitação
Para os fins do art. 26 da Lei nº 8.666/93, com as alterações posteriores, DECLARO a INEXIGIBILIDADE DE LICITAÇÃO para a prestação de serviços especializados no desenvolvimento dos projetos complementares, básicos e executivos, relativos ao empreendimento denominado Arena das Dunas, a ser construído em Natal, para realização dos jogos da Copa do Mundo de Futebol de 2014, bem como o Gerenciamento Total do Projeto, o que faço com base no preceituado pelo caput do art. 25, II da Lei 8.666/93, e, via de conseqüência, AUTORIZO a contratação direta da empresa STADIA PROJETOS CONSULTORIA E ENGENHARIA LTDA, inscrita no CNPJ sob o n.º 10.991.455/0001-70, limitada ao valor global de R$ 12.670.000,00 (doze milhões, seiscentos e setenta mil reais), lançando-se a despesa com a contratação dos serviços à conta dos recursos alocados a esta Pasta, assim classificados: Dotação Orçamentária: 28.101.27.811.2804.12391 – Realização da Copa do Mundo 2014 em Natal - Elemento de Despesa: 3390.35 – Serviços de Consultoria – Fonte 100.
Natal, em 31 de maio de 2010.
Armando José e Silva
Secretário Adjunto.
DOE 22/6/2010)


Arena das Dunas: o estrondoso silêncio dos que podem fiscalizar e intervir

Leonardo Sodré
http://leonardosodre.blogspot.com/2010/06/arena-das-dunas-o-estrondoso-silencio.html

Soa estranhamente o silêncio das autoridades que podem fiscalizar a tremenda trapalhada financeira dos governos que administram a possibilidade de Natal ser subsede da Copa do Mundo de 2014, refém de um custo astronômico para realização de dois ou três jogos de futebol.

Jornalistas, cronistas, Blogueiros, enfim, todos os que dispõem de espaços jornalísticos denunciam as cifras altíssimas para a construção de um projeto arquitetônico que, há tempos, havia sido apresentado como concluído. Imitando Túlio Lemos, pergunto: O que é que está havendo?

E, enquanto se analisa os passos atabalhoados dos dois governos, 160 crianças perderam sua creche, demolida rapidamente para mostrar serviço aos fiscais da poderosa FIFA. O próximo passo da sanha milionária destruidora, será a derrubada do Estádio Machadão.

Mas, outra discussão se iniciou com relação a derrubado do patrimônio público depois que o jornalista Eduardo Alexandre Garcia formalizou um pedido de tombamento para o estádio de Lagoa Nova. A partir da sua iniciativa, a discussão foi reavivada. Por que derrubar para construir?

Todos queremos a Copa de 2014, embora os estressados defensores da destruição argumentem apenas que os que são contra a destruição de patrimônio não queiram a Copa do Mundo. Queremos sim, mas em outro local.
Por que tanta resistência? Por que querem gastar duplamente?

Essa deveria ser a pergunta das autoridades que podem fiscalizar, mas que se mantêm silenciosas.
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parabéns, leo, pelo texto.
só mudaria o verbo: de poder para dever, no silêncio daqueles que devem fiscalizar. MPE, MPF, TCU, TCE, CREA, etc.
27 milhões para um projeto, depois de se pagar 3 mi por uma maquete eletrônica? meu amigo, isso não existe em canto algum.
por aí, já no início, mostra-se a 'fome' com que virão sobre a viúva. raça de escrotos. sanguessugas.
torço com todas as forças para que Natal seja degolada. É um absurdo o que está prestes a acontecer.
Antoniel Campos

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1. tenho acompanhado todas as postagens e discussões com natural (para mim, é) indignação. não me pronuncio, pois tudo é muito bem colocado e não vejo graça em chover no molhado.
2. a princípio, havia achado bacana a espetacularidade do projeto da arena das dunas.
3. logo a seguir, percebi que não era interessante, do ponto de vista ecológico e urbanístico, por conta do local ser um captador de água;
4. a saída seria construir entre parnamirim e macaíba;
5. agora, não vejo mais nenhuma "beleza" em sediar a copa por aqui.
6. se rolar o abaixo-assinado que se cogitou para o andamento da "causa dunga", eu assino.
é isto.

Vicente Vitoriano
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Em cada 100 anos se perde a referência de uma geração
Natal explode
Em edifícios que vão se esticando aos céus
rasgado pelo vento que joga sua poeira no universo, em nome de um
progresso.

Deixando no solo um suspiro para a última saudade
dos que viveram
e ou conheceram sua história.
edificam-se prédios em lugar de casas, assentam-se placas douradas

como nas catacumbas e mausoléus
com nome de ex-proprietários, como se fossem epitáfios ... aqui jaz ...
uma saudade.


E Natal ficando sem prédios históricos,

sem casas centenárias, sem patrimônio cultural.
cadê os casarões centenários, cadê?
cadê nossa história de 400 anos? cadê?
somente a Fortaleza dos Reis Magos segura o cetro
de mais de 400 anos.

As demais tombam com o muro de Berlim.
A casa de pedra, o centro cearense, a casa redonda de maria boa na
praia do meio e tantas outras boas casas que tombaram, assim como o CASTELÃO vai tombar ?


Salve Dunga,

Salve o MONUMENTO DO FUTEBOL POTIGUAR.

Leide Câmara
05 de junho de 2010


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Caro Eduardo:

Recebi e gostei muito de suas mensagens de ontem. Seria ótimo se fossem publicadas. Achei muito útil e esclarecedora a entrevista na TV Câmara. Gostaria de conseguir uma cópia, para divulgá-la o máximo possivel.

Agnelo Alves vem publicando uma matéria aos domingos sobre a história do Machadão. Hoje já saiu o 2º capitulo. Se você não estiver acompanhando me avise que lhe mandarei depois. Estou anexando o recorte da crônica de João Saldanha no "O Globo" do Rio de Janeiro, quando aqui esteve cobrindo jogos da mini-copa do mundo, ocasião em que afirmava que em sua opinião o nosso estádio era o mais bonito do Brasil. Como foi de autoria de arquiteto daqui, e sem qualquer recompensa pecuniária, ao invés do tombamento que os povos civilizados outorgam a suas manifestações culturais e históricas, está na iminência de ser brutalmente tombado pelas marretas dos selvagens que dominam nosso povo ingênuo.

Estou mandando esta mensagem para muitas pessoas, das quais, significativa maioria, tenho certeza, repudia tamanha estupidez e seus objetivos sabidamente suspeitos.

Aproveito a oportunidade para lhe sugerir, na sua qualidade de comunicador, que procure saber a opinião dos arquitetos/urbanistas, tradicionais e reconhecidos defensores da preservção do patrimônio da cidade.

Abraço do amigo Moacyr


Vergonha e indignação
Petit Natal Brazil
Petit das Virgens
No Rabo Solto, página do Facebook de Lola

A negociata é a seguinte: o governo do Estado encomendou um projeto virtual da Arena das Dunas a uma firma internacional indicada por Ricardo Teixeira, com a garantia de que, em troca, Natal sediaria a copa 2014. Valor já pago: 3,6milhões de reais. Foi feita uma campanha publicitária para ter apoio popular.

Os investidores executores internacionais ficariam com toda área por trinta anos. Demoliriam Machadão, Machadinho, Centro Administrativo, papódromo e kartódromo. Em troca, construiriam a Arena e dois prédios administrativos que seriam alugados ao governo e prefeitura por 30 anos.

Com a crise imobiliária, os investidores sumiram. O governo Lula anunciou que bancaria tudo com dinheiro público. O arquiteto Moacyr Gomes, que fez o Machadão, tem um projeto paralelo de reforma que atende às exigências da FIFA e custa cerca de cem milhões de reais, mas, por motivos obscuros, o governo não o quer.

Só a demolição custa quase isso. Há poucos dias, vieram uns fiscais da FIFA para ver as obras. Na verdade, a demolição de uma escola infantil no local. Isso mesmo que você leu: foi demolida uma escola/creche com 300 alunos e custou 300 mil sem licitação.

Eduardo Alexandre entrou com um processo de tombamento na FJA, mas o governo já mandou engavetar.

Ontem, o governo e a prefeitura de São Paulo deram o bom exemplo: anunciou que não gastarão um centavo do dinheiro público com construção de estádios. A previsão, aqui em Natal, são de gastos acima de um bilhão de reais. Só a Arena, vai custar 500 milhões. Enquanto isso, a população de Natal agoniza nas macas nos corredores do Walfredo Gurgel, depois de ser assaltada constantemente por bandidos que, por sua vez, não têm escola como alternativa de vida.

O Hospital Infantil Varela Santiago está ameaçado de fechar, sobrevive à custa de doações e campanhas. Nossa carga tributária é uma das maiores do mundo.Tudo isso será uma grande roubalheira.

Uma vergonha! Como natalense e brasileiro, estou indignado.



JARDIM DE PEDRA

Rubens Lemos Filho


Para o grego Tamuz, a escrita é a única arma da memória. E ele fez a profecia três milênios antes de Jesus Cristo nascer, segundo os testemunhos. Três mil, mais 2010, são 5.010 anos de sapiência. Na cultura de qualquer lugar, o passado e os seus protagonistas são motivadores de perpetuação.

Em Natal, a mídia destacou, sob forte teor performático, o início das obras da Copa 2014 com a demolição da Creche Kátia Fagundes Garcia, no Centro Administrativo.

Quem foi Kátia Garcia? que entrou sem querer no jogo ainda não jogado, da construção do Estádio Arena das Dunas, onde serão disputadas as partidas aqui, garantidas por todos os entendidos de futebol e dos seus(interessantes) labirintos.

Os tratores postos no Centro Administrativo com a velocidade de um Neymar, podem ter passado por cima do cimento e da cal da creche. Sobre quem lhe deu o nome, num exercício cruelmente irônico, não será preciso.

Kátia Garcia, assassinada aos 42 anos em 1988, numa briga de trânsito, era uma economista sem a visão fria e impessoal dos números. Para ela, gente era gente. Pós-Graduada na Fundação Getúlio Vargas(SP) e com experiência no Banco Mundial, foi uma formuladora ousada.

Autora da idéia de se criar em Natal o Programa do Leite, lançado em 1986, no primeiro dia da administração do prefeito Garibaldi Alves Filho, de quem foi secretária de Planejamento. Leite, criança e creche, há coerência.

Mergulhou nas questões agrícolas, tendo ao lado o marido Roosevelt Garcia, um técnico tão competente que alia o conhecimento pragmático a um texto de qualidade superior. Dos dois, nasceu Renato Garcia, precocemente brilhante.

Kátia Garcia, filha do tabelião Armando Fagundes, lúcido aos 91 anos, comandando seu cartório próximo à Prefeitura de Natal. Com Armando e Renato, assisti a reinauguração da Creche Kátia Garcia, quatro anos atrás.
Natal precisa ser menos fria com os seus predecessores. Por trás de cada monumento, há um sentimento humano.

Uma terra de tanto sol e calor não pode, em nome do que seja, se transformar, de repente, em um Jardim de Pedras.


Do Blog de Leonardo Sodré: http://bit.ly/beKdXb

Do Jornal de Roberto Guedes
"O jornalista Eduardo Alexandre Garcia, autor do requerimento solicitando à Fundação José Augusto o tombamento do estádio municipal João Machado, que protocolou no último dia 28, está ultimando com advogados uma ação de obrigação de fazer contra o presidente do órgão, o engenheiro agrônomo, escritor, jornalista e poeta Crispiniano Neto".
.
Comentário do advogado Kelps Lima no Facebook
"Sou a favor da construção de um novo estádio. O tempo para discutir o local já se venceu. Se abrirmos brecha para essa discussão poderemos perder a Copa. Seria uma perda incalculável para nossa cidade. De saída teríamos menos 2 bilhões para investimento até 2014".


De goela abaixo

Eduardo Alexandre


"O tempo para discutir o local já se venceu. Se abrirmos brecha para essa discussão poderemos perder a Copa."
Kelps Lima, no http://leonardosodre.blogspot.com/

Foi como apoplético que o natalense recebeu a notícia de que iria sub-sediar jogos da Copa 2014. Tudo chegou de repente e com essa chantagem: se vacilar em qualquer item que não concordem, perdem a oportunidade de Natal ter a Copa.

E a FIFA chegou com um projeto de Arena linda para Natal. E mais: todo o nosso parque público/administrativo estadual seria transformado em estadual e municipal com a construção de mega-edifícios nos mais modernos padrões arquitetônicos e de conforto e beleza. A cidade ganharia novas vias, a saúde melhoraria, a segurança seria assegurada, Natal nunca mais seria a mesma. Tudo uma maravilha!

Um técnico teria sobrevoado a cidade e escolhido: o lugar ideal é aquele! E apontou para a área onde temos os nossos Machadão, Machadinho, Centro Administrativo, creche e Papódromo, afora o sonho de um Observatório Espacial.

Prédios imensos para a burocracia estadual e municipal. Estádio e ginásio de encantar a vista de todos. E dinheiro fácil para se transformar Natal, de vez, na Natalópolis dos sonhos futuro-progressistas.

Uma só implicação: tudo o que há ali, teria de ir ao chão, ser demolido, para dar lugar ao mega projeto das mil e uma noites vindo dos States, tudo primeiro-mundistamente projetado. Uma beleza!

Quem era doido de não querer Natal na Copa Brazil/2014? Ninguém. Ninguém era doido de dizer que não queria estar na Natal da Copa 2014.

Era como se soltassem uma manada de meninos numa agigantada maquete erguida a chocolate. Todos se lambuzaram.

Um ou outro alérgico a chocolate tentava uma opção gustativa: será que não tem um pudim? Um bolinho de milho? Um alfinim?

No que era logo admoestado: Cala-te! Quiere que percamos todos a nossa gostosa comilança?

Discussão nenhuma houve sobre o assunto. Foi assim, veio assim e pronto. Era assim. Tinha de ser assim.

Discutir o quê, por quê? Havíamos ganho uma loteria mundial. O nosso sonho de terra do turismo finalmente decolaria ao cosmos. Seríamos a Natal Intergalática! Maravilhosa e leal.

Uma só implicação: destruir todo aquele patrimônio já incorporado à paisagem da cidade.

Noutro local não poderia ser. Não seríamos loucos de contrariar os homens da FIFA que nos chantageavam com argumentação tão convincente, com projeto tão belo e de tão fácil consecução: assinar uns papeizinhos de compromisso e dizer que sim, pode botar tudo abaixo que tem nada, não: vocês vão mesmo contruir tudo em dobro e em triplo depois... Pois, sim.

Não vou aqui discutir a chantagem do argumento de Kelps; não o valor do patrimônio; não o valor cifrado em $s como os de suas palavras; nem o valor histórico de um patrimônio já incorporado à imagem própria da cidade, com seu valor arquitetônico único, com seu apelo histórico/sentimental.

Dizer que a cidade discutiu o assunto é falaciar o debate. É usar de um argumento de chantagem já usada para tentar fazer calar os que se opõem à isana tentativa de destruição de um bem público, de todos, como dita e grifa a propaganda governamental.

O projeto virtual que chegou a todos com obrigação de acatamento, chegou como comida de peru de Natal, de goela abaixo, empurrada e, para o peru, com fim trágico, o que espero não aconteça a nossa história.


Triste
Deputado conclama o povo para destruir um bem público

Parnamirim Notícias (capa), 31 de maio de 2010



Cena Urbana
Vicente Serejo
01 de junho de 2010

Tombar
O jornalista Eduardo Alexandre ao protocolar o pedido de tombamento do Machadão e do Machadinho acabou assumindo o único gesto capaz de gerar um grande impasse para o governo.
Saída
O governo ficou sem saída: se instaurar o pedido de tombamento suspende as obras até julgar o pedido; se não proceder como seria normal desconhece o direito que a lei permite aos cidadãos.
Efeito
O poder de instaurar ou não instaurar o processo de tombamento é privativo da Fundação José Augusto que teria sido alertada para não fazê-lo. E o caso pode acabar sendo decidido na justiça.


Machadão, o "poema de concreto armado", aniversaria 38 Anos

O aniversariante do dia é o Estádio João Cláudio de Vasconcelos Machado, mais conhecido como Machadão.

Completa 38 anos de existência.

Esse poderá ser o último aniversário do Machadão, que está seriamente ameaçado de ser demolido para a construção do Estádio Arena das Dunas, que sediará alguns jogos da Copa do Mundo de 2014.

O Machadão foi inaugurado no dia 4 de junho de 2972, quando era governador Cortez Pereira e prefeito de Natal Jorge Ivan Cascudo Rodrigues.

Projetado pelo arquiteto Moacyr Gomes da Costa, o Machadão é considerado um dos mais belos estádios do Brasil.

É tanto que foi chamado de “um poema de concreto armado” pelo comentarista esportivo e ex-técnico da selebração brasileira João Saldanha.

Inicialmente foi batizado com o nome de Estádio Humberto de Alencar Castelo Branco e conhecido simplesmente como Castelão.

Somente em 1989 teve seu nome alterado para Estádio João Cláudio de Vasconcelos Machado, passando a ser chamado de Machadão, em homenagem ao ex-presidente da Federação Norte-riograndense de Futebol.

Embora esteja marcado para ser demolido pelos “inteligentes” do Governo do Estado e da Prefeitura de Natal, o Machadão vem tendo sua permanência defendida por um grupo de pessoas que resiste à idéia de transformar o nosso “poema de concreto” em pó.

Parabéns ao Machadão e a todos os que são contrários a sua demolição.

Eu também sou contra à derrubada do Machadão por considerar um crime contra o patrimônio público, cultural e arquitetônico do Rio Grande do Norte.
Postado por: AQUINO NETO horário: 10:6

O Machadão vive os seus últimos dias. Coitado do RN

Paulo Tarcísio Cavalcanti

Todo mundo sabe que para uma cidade ser escolhida sede de qualquer coisa tem que pagar um preço. Quanto mais para sediar uma competição consagrada como é uma Copa do Mundo de Futebol.

Isso é verdade e ninguém discute. Agora, além de pagar esse preço, ainda ser obrigada (e aceitar) a se desfazer de uma parte do pouco que conseguiu construir ao longo de sua história é outra coisa: Ou burrice ou irresponsabilidade.

É incrível e suspeita a postura das autoridades do Governo do RN e da Prefeitura de Natal em dois momentos desse debate: Primeiro, quando escondem do CREA-RN o projeto do estádio que prometem construir; e, segundo, quando tentam justificar o seu instinto demolidor, assegurando que sem a demolição do Machadão, "adeus" Copa de 2014.

Postura incrível e suspeita, mas, pelo menos pra mim, não surpreendente. Infelizmente, quando se trata da gerência da coisa pública, os nossos representantes não estão nem aí pra saber quanto custa, nem quanto tempo levará para ser feito.

O incrível é constatar e testemunhar o surgimento de vozes, respeitáveis e conceituadas, vindo a público defender a teoria do fato consumado, sob a alegação de que o tempo do debate já passou.

Com relação à demolição do Machadão, colocando de lado o zelo (pra mim obrigatório) pelo patrimônio público, eu até admitiria aceita-la se comprovada, efetivamente, a sua necessidade, mas só depois que o outro estádio estiver pronto.

Pois, além de criminosa, sob o ponto de vista da destruição de um patrimônio público, considero a demolição uma temeridade, uma vez que a construção do novo estádio, que já vai começar atrasada, não tem nenhuma garantia de que será concluída e, principalmente, em tempo de sediar os jogos.

Temeridade por que? Temeridade porque, até hoje, na história do Rio Grande do Norte não houve uma única obra, por menor que seja, que tenha terminado no tempo inicialmente previsto.

Eu tenho dezenas de pequenos exemplos: A ponte, o aeroporto de São Gonçalo, as quatro UPAS que prometeram colocar em funcionamento em Natal até agosto do ano passado, etc. Mas, vou citar só um: minúsculo, em comparação com a grandiosidade da chamada "Arena das Dunas".

No ano passado, a Prefeitura de Natal fechou para reformas o Centro Odontológico Morton Mariz prometendo reabri-lo em dois ou três meses. Está completando um ano e nada.
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Texto: Beto Leite
Desenho: Marcos Guerra
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revistacatorze. com.br

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Carlos Eduardo: “sou contra a demolição do Machadão”

Ex-prefeito lembrou que foi em sua gestão que Natal se lançou candidata à cidade-sede para Copa 2014 e que projeto inicial previa readequação do estádio.

Por Thyago Macedo

Vlademir Alexandre
O ex-prefeito de Natal, Carlos Eduardo, comentou que foi durante a sua gestão que Natal se lançou como candidata a cidade-sede para a Copa 2014. Ele destacou ainda que é contra a derrubada do Machadão e que projeto inicial previa a readequação do estádio.

“Eu mesmo estive na CBF e questionei se era válido um projeto de reestruturação de um estádio para a Copa e eles me deram vários exemplos que sim. Com isso, conversei com o arquiteto Moacir Gomes, criador do Machadão, e pedi que ele apresentasse o projeto de reforma”, destaca.

Carlos Eduardo citou, inclusive, uma viagem que fez a Barcelona, onde conheceu o estádio reformado que recebeu a final da Copa de 1986. “Eu conheci aquele projeto muito bonito, localizado no meio da cidade, e fiquei com ele na cabeça”.

A partir daí, o ex-prefeito destaca que o arquiteto Moacir Gomes apresentou o novo projeto para o Machadão e o levou até a Confederação Brasileira de Futebol.

“Eles aceitaram o projeto e disseram que Natal estaria na briga. Contudo, quando foi agora em janeiro e fevereiro apareceram com esse projeto Arena das Dunas, que para mim não ficou claro de como será. Portanto, eu sou contra a demolição do Machadão”, ressalta.


Publicada em: 12/02/2010
Os elefantes brancos

Ailton Salviano, concluinte de Jornalismo (UFRN)
Para quem defende ardorosamente a demolição do Machadão e a construção em seu lugar da Arena das Dunas, é recomendável tirar lições do que acontece com os estádios de futebol construídos em Portugal para sediar a Eurocopa de 2004. Os cinco estádios públicos edificados(o Machadão não será construído, e sim demolido para ser edificado outro... Já seria um elefante branco?) para aquela competição transformaram-se em crônicos problemas financeiros para os seus gestores. Os gastos com suas manutenções tornaram-se tão elevados ( o custo de manutenção do novo estádio será menor, pois o concreto do ATUAL Machadão está em constante processo de corrosão) que surgiu a absurda idéia de suas demolições.

A euforia portuguesa de sediar a Eurocopa atropelou a exigência de projetos que contemplassem a manutenção dos estádios pós-competição. O orgulho lusitano e o desejo de tornar-se campeão europeu de seleções conceberam o problema. A seleção portuguesa, treinada por Felipão, perdeu o título na final para o time grego e hoje, o que se percebe são prefeituras endividadas e obrigadas a manter verdadeiros elefantes brancos sem qualquer utilidade.

Entre amortizações de empréstimos e gastos com manutenções dos estádios, as limitadas prefeituras de cidades portuguesas desembolsam grandes fortunas anualmente. Segundo reportagem do jornalista Hugo Daniel Sousa veiculada neste domingo, 7 de fevereiro de 2010, as seis prefeituras que construíram estádios gastam anualmente 19,9 milhões de euros e com uma forte tendência de aumentar por conta do aumento das taxas de juros.

Os problemas com esses estádios portugueses são os mais diversos. Na cidade de Leiria, por exemplo, lamenta-se que a obra foi construída numa área nobre da cidade (semelhante à Natal !sic!!!?) (o Machadão não será construído, e sim demolido para ser edificado outro ele já está localizado numa área nobre) ocupando um terreno que não dá mais espaço para outras benfeitorias urbanas. Noutro extremo, as populações de Aveiro e Braga reclamam porque os estádios foram erguidos fora do perímetro urbano da cidade. Enquanto moradores do Algarve lastimam não ter nenhuma equipe na Primeira Divisão (também nosso caso).

Não adianta dizer que aqui em Natal, o futuro estádio será passado para a iniciativa privada. Isto é simplesmente transferir o problema. Com os nossos times disputando os últimos lugares na "série B" do campeonato brasileiro, vai ser difícil atrair torcedores para grandes jogos. Os otimistas hão de dizer: o estádio poderá ser utilizado para shows musicais. Boa saída, mas será que a economia da cidade suporta esses shows semanalmente?

A China, sede dos Jogos Olímpicos de 2008, está conseguindo manter o seu formoso estádio, popularmente conhecido como o "Ninho de Pássaro", onde foram gastos 500 milhões de dólares, cobrando a visita diária aos turistas. Todos querem ver a pista onde o corredor jamaicano Usain Bolt bateu dois recordes mundiais. Curiosidade esta que poderá desaparecer após a próxima olimpíada.

Na Inglaterra, atualmente sede do futebol mais caro do mundo, a empresa Wembley National Stadium Ltd. sofre para manter o novo Estádio de Wembley. Obrigada a desembolsar anualmente 30 milhões de euros somente em juros, a gestora de Wembley tem apelado para os grandes jogos de qualificação do English Team e outros eventos como partidas de futebol americano e concertos de famosas bandas internacionais.

Um consenso internacional está se formando com base na afirmação de Zhang Hengli, vice-gerente do consórcio, responsável pela administração do Ninho de Pássaro chinês: "A maioria dos estádios do mundo administrados com métodos normais não consegue dar lucro". Daí a expressão "Elefante Branco", algo grande, bonito mas, sem utilidade e que só dá despesa!


09 JUN

Deputado defende reforma do Machadão para evitar desperdício de R$ 18 milhões



Crédito: Eduardo Felipe

Legenda: Álvaro Dias: "O mais racional seria a adaptação do Machadão. Não vejo necessidade de demolição"
Joaquim Pinheiro - Repórter de Política



A demolição do Estádio Machadão, Ginásio Machadinho, Centro Administrativo e Papódromo para dar lugar ao Complexo Esportivo "Arena das Dunas" para sediar em Natal a Copa do Mundo de 2014 está suscitando discussões contraditórias e dividindo a classe política. Vários parlamentares norte-rio-grandenses declararam-se favoráveis a realização do maior evento esportivo do mundo em Natal, mas discordam da demolição do estádio. O deputado Àlvaro Dias, líder do PDT no Estado e ex-presidente da Assembleia Legislativa disse na manhã de hoje não entender como é que queiram demolir uma obra nas dimensões do Machadão depois de realizar uma reforma onde foram gastos R$ 18 milhões. Ele lembra também, a própria reforma da sede da governadoria concluída recentemente e que custou mais de R$ 1 milhão.

No entendimento do deputado Álvaro Dias, o Estádio Machadão devia ser reformado e adaptado para sediar os jogos da Copa do Mundo. "Não vejo necessidade de demolição. Acredito que o mais racional seria a elaboração de um projeto de adaptação e modernização do estádio para evitar que se perca tantos recursos públicos empregados naquela monumental obra", disse Álvaro Dias, lembrando que o dinheiro que será gasto no novo projeto deveria ser destinado para setores como saúde, educação e segurança, por exemplo.

Quem também se pronunciou contra a demolição do Machadão foi o deputado Getúlio Rêgo. Ele disse não entender a decisão e questiona o desperdício de dinheiro com o trabalho de remoção dos entulhos "Os gastos para isso serão vultosos", afirmou o deputado do DEM, mostrando-se favorável a realização dos jogos em Natal, e a construção do complexo esportivo em outro local.


Matéria de o Novo Jornal, 01/06/2010

O DUNGA QUE NÃO APITA

/PEDIDO/ POETA E JORNALISTA EDUARDO ALEXANDRE DE AMORIM GARCIA, O DUNGA, PEDIU O TOMBAMENTO DO MACHADÃO E DO MACHADINHO, MAS O DOCUMENTO AINDA NÃO SAIU DA MESA DO PRESIDENTE DA FUNDAÇÃO JOSÉ AUGUSTO, CRISPINIANO NETO
O PRESIDENTE DA Fundação José Augusto, Crispiniano Neto, não quer ser responsabilizado pela inviabilização da Copa do Mundo de 2014 em Natal. A declaração foi dada depois de questionado sobre o pedido de tombamento do estádio Machadão e do ginásio Machadinho protocolado sexta-feira passada pelo poeta e jornalista, Eduardo Alexandre de Amorim Garcia, o Dunga.

Embora o pedido assinado pelo protocolista Cícero Duarte Costa não tenha chegado à mesa dele até o final do expediente de ontem, o titular da FJA informou que vai analisar os argumentos que reivindicam o tombamento. Mas deixou claro que o compromisso assumido pelo Governo do Estado junto à FIFA para a realização do Mundial na área onde hoje está o Machadão vai pesar na decisão. "É claro que vai pesar! Por que só depois que o Estado assume o compromisso é que alguém resolve tombar o Machadão? A FIFA aprovou a Copa, a CBF aprovou a Copa, o Governo aprovou a Copa, a Assembleia Legislativa liberou dinheiro para a Copa e agora querem que eu a inviabize? Mas isso é só para dizer depois no Beco da Lama que a Copa só não aconteceu aqui em Natal por minha causa", desabafou o presidente da FJA em referência à região boêmia da Cidade Alta freqüentada principalmente por poetas, artistas, jornalistas, produtores culturais e autônomos.

Crispiniano disse que assim que o pedido chegar ao gabinete da FJA, vai analisá-lo. No entanto, ele descartou que hoje haja novidades por conta de uma reunião que terá com o governador lberê Ferreira de Souza. Durante a análise do pedido de tombamento, vai conversar com o secretário especial da Copa, Fernando Fernandes, e com pessoas ligadas ao futebol antes de tomar a decisão de encaminhar o processo para a Secretaria Estadual de Educação que, no final, é quem autorizará, ou não, o tombamento. Ele compara a história do Machadão e do Machadinho com a importância histórica da Copa do Mundo para Natal. Àquele espaço está comprometido oficialmente com um evento mundial, por isso acho estranho esse pedido. É um evento histórico também. Eu sempre falo aqui: se você quer fazer um pedido de tombamento, entre com o pedido. Mas o pessoal deixa para fazer em cima da hora. Se o estádio é um fato histórico, existe um fato histórico naquele compromisso. Vamos analisar do ponto de vista arquitetônico, do ponto de vista da viabilização da Copa em Natal também", afirmou.

Antes de ser encaminhado, por último, para a Secretaria de Educação, o corpo técnico do Centro de Documentação da FJA deve analisar o pedido. A equipe do Cedoc é coordenada pelo ditetor do órgão, João Natal, que retorna de férias hoje. Ele acredita que o documento chegue ainda esta semana ao setor, mas lembrou que um tombamento leve ser feito com critérios. "O tombamento não pode ser banaizado. Não se pode simplesmente 'tombar para não cair", disse.

Na mesma linha do presidente daFJA, o diretor do Cedoc também defende que o procedimento não pode ser analisado de forma isolada. "(Um tombamento como esse) depende das implicações, que tem um parecer anterior a isso. Até porque é uma coisa do Governo do Estado. Tudo tem importância e não pode ser analisado isoladamente. Mas tudo deve ser analisado”, disse.

TRAMITAÇÃO

O poeta e jornalista Eduardo Alexandre Amorim Garcia, o Dunga, teme que a Fundação José Augusto não faça o processo correr pelo interesse do Governo do Estado em derrubar o Machadão para construir o estádio Arena das Dunas, orçado em R$ 400 milhões. Mas acredita que, por conta da legislação estadual, o presidente da FJA, Crispiniano Neto, tenha obrigação de enviar o documento para a secretaria estadual de Educação. "Se não houver nenhuma sacanagem por parte da Fundação, vai correr. Eu temo que haja alguma coisa. Não vou dizer que é uma questão pessoal, mas em relação ao interesse na derrubada do estádio. Pode ser que a Fundação dê uma escanteada. Mas se isso acontecer pode ser responsabilizado pelo Ministério Público”, afirmou.

Dunga afirmou que não entende o motivo pelo qual a Arena das Dunas tem que ser construída no lugar do Machadão, e não em outro local. E faz uma comparação. “Será que Natal permitiria que se destruísse a igreja do Galo para construir uma mais moderna? A modernidade é a preservação da história", disse.
Na descrição do tombamento, entregue semana passada e que possui oito linhas, Dunga destaca a importância do Machadão e do Machadinho para a cultura e a história da cidade.

O NOVO JORNAL procurou a assessoria de imprensa da Secretaria Especial da Copa (Secopa) para ouvir o titular Fernando Femandes sobre a polêmica, mas ninguém retomou até o fechamento desta edição.


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Matéria de o Novo Jornal, 29/05/2010
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quinta-feira, 20 de maio de 2010

Odoiá, minha mãe, Santa dos Navegantes


Eduardo Alexandre


Senhora dos Navegantes e de quem dela se acerque pedindo proteção, do topo da igreja de pedras escuras talvez trazidas dos arrecifes do outro lado do rio, da praia de Santa Rita ou Jenipabu, vizinhas, deita seus olhos sobre o mar: recomenda ao Senhor a dádiva dos peixes para os que se aventuraram na imensidão das águas, rogando retorno feliz.

Zelosa, também estende proteção aos que ficam, e todos, agradecidos diante de sua imensa bondade, fazem dengo, aprontando a Festa de Nossa Senhora dos Navegantes, no último domingo de janeiro, sobre águas corredouras do Potengi e solo da paciente Redinha, por assim se chamar pelas extensas redes-de-pesca dependuradas e a fazer voltas, labirintos, para a secagem, limpeza e reparos da malha, em varas bifurcadas fincadas em meio ao areal branquinho que recebe, não se recordam os anos, manso, o vento que renova o chão que é quase pó, da ponta de céu azul, claro, de poucas nuvens, onde se misturam águas doces, de pra lá dos igapós, aos sargaços desaguados do mar atlântico, imenso e verde, quase sereno.

O rio, Grande por nominação de conquistadores lusitanos, mercenários de El-Rey, tomado de barcos decorados em bandeirolas coloridas por todos os lados, comemora. O velho mercado, nativo da vila originária de antigos pescadores, também, no seu cheiro de dendê e cachaça, ginga tostando no óleo da caçarola, à frente dos fiéis, fogão já não mais à lenha, parece templo, quase silêncio.

Em derredor do Redinha Clube, herança de primitivos veranistas, armam-se barracas para a venda de comidas e bebidas - grude de Extremoz, tapioca, fuba embutida em barquinhos feitos artesanalmente em palitos de palha, linhas e papel-seda de cores vivas, vermelho, amarelo, azul; quentão na ordem do dia, quando a caipirinha, a de dois dedos (mindinho e indicador), a cerveja, falam mais alto e ajudam o canto e os acordes do violão. Em operação, carrossel, roda-gigante, balanços de barcos pesados, estandes de tiro, jogos-de-argola, e até alto-falante, a oferecer músicas às bem-amadas. Desejo.

No palanque montado de véspera, em frente à capelinha branca, oratório de pescadores, de poucos bancos, humilde como eles, será encenado o boi-de-reis, uma chegança, quiçá um fandango, participantes excitados, gajeiro encantado pela presença e beleza das pastorinhas - cordões azuis, encarnados, espíritos de velha etnia. Tradição.

O povo fará procissão. O padre, em paramentos cuidados, dirá missa e, feito batista, sacramentará os pagãos; moças casadouras ganharão aliança em vestes bem brancas; novenas anteciparão maior proteção.

- Viva Nossa Senhora dos Navegantes !

- Viva !

As Imagens são duas, que importa, se a festa é única como a crença do povo?

- Odoiá!

Apinhado de fervor à espera das bênçãos que vêm do rio, o trapiche que serve ao embarque e desembarque da Santa, o mesmo usado pelos que fazem a travessia fluvial, hoje no Albacora Azul - pintado de verde e branco - estará pleno, e os rojões espoucarão à passagem da boa mãe poderosa, tranqüila e terna, eterna na memória católica.

- Vai um alfinim, moço? Cuscuz ao leite-de-coco?

A praia, da ponta do cemitério dos ingleses - hoje ancoradouro da balsa do Pipes - ao quebra-mar do farol da barra, estará toda tomada por uma multidão de devotos. Bugues, a circular, trazendo gente bonita, bronzeada ao sol do passeio pelas dunas móveis, fazem a alegria dos turistas. Os donos de bar, os balaieiros de pitombas, serigüelas e cajás, os meninos do picolé, o sorveteiro Clóvis, festejarão lucros, e das ruas da vila, junto ao prefeito e indefectíveis pedintes de voto, sorridentes e prometedores, virá a procissão de terra trazendo a Santa dos mesmos milagres, mais humilde, não menos gentil, saída da capelinha branca e erguida, ninguém sabe quando, na mais elevada duna, acompanhada de cantorias e rezas entoadas ao ranger de terços de velhas senhoras, muitas, filhas de finados caçadores-de-caranguejo dos mangues seculares da lamacenta Camboa, para onde não se dirigirão Os Cão, aguardo de terça-gorda de carnaval.

Tudo será alegria, e o encontro das Imagens é a fé renovada a cada fim do mês do caju.

Alegria tanta que se desdobra em novidades, fazendo o insistente Baiacu na Vara antecipar a quarta-de-cinzas e de tristeza, lembrança de que o ano nosso começa na quinta, ainda devagar, para se firmar na segunda-feira de fim de folia.

Na margem oposta, da Pedra do Rosário, local onde a Padroeira Nossa Senhora da Apresentação foi deixada por colonizadores impositores de religiosidade, ao quebra-mar do Forte, protetor da Povoação dos Reis, depois cidade Natal, contra corsários do norte e indiada em revolta, sem querer entregar-se, virar escrava, ceder o chão, na boca da barra, a gente acotovela-se, aplaudindo a passagem da Santa da igreja de pedra, renovando súplicas por dias melhores.

No cais do porto, o navio apita e a tripulação acena, agitando lenços ou bandeirolas que enfeitarão de gestos multicores os nautas da procissão embarcada. Os ioles descerão as rampas dos clubes da rua Chile, outrora importante a ponto de abrigar sede de governo provincial, o ex-todo-poderoso Lloyde inglês, grandes frigoríficos da indústria da pesca, famílias de tradição e labuta, e singrarão o rio soberbos como em memoráveis regatas, ao lado de lanchas modernas e velozes, algum iate porventura ancorado no clube da Limpa, jet skis em manobras lépidas e mergulhos radicais, velas coloridas das pranchas do wind surf da paisagem mais jovem, uma ou outra quase extinta jangada de praia do litoral norte, mais distante do progresso, Maracajaú, Pitangui, Muriú, ou, quem sabe, um paquete como os que subiam a praia do Maruim sobre rolos de troncos de coqueiro, nos fins de tarde, entupidos de mistérios e de lulas, polvos, tartarugas, ciobas fresquinhas, cavalas, ariocós, galos-do-alto, xaréu, e até o pegajoso cangulo de apreciado e, dizem, milagroso caldo.

Os timoneiros estarão em festa. Os ultra-leves, como as gaivotas, pairando, seguindo a frota, também. Os pescadores contarão estórias, falarão das tormentas e cerrações, nortadas, e recordarão comemorações de outrora, ritual de anos sem conta, antecipando o 2 de fevereiro de Iemanjá, de Iara, rainhas das águas, quando teria festa no mar.

Uma imagem pelo rio, outra pelos becos e ruas da chamada e amada prainha, esquina à venda do cansado Deífilo, rua do Cruzeiro, cemitério às homenagens dos póstumos, Pé-do-Gavião, calçadas profanas do povo novo, de profissões hoje diversas. Todos confundem-se à passagem das Senhoras do navegante, são todos iguais nesse momento, na fé e na festa, no aplauso aos rogos atendidos, na crença na Santíssima Unidade, dogma de bem-querer.

Como começou essa festa, não se sabe. Vem de antes da virada do século, diziam os mais idosos repuxando memórias que vinham dos pais, referências de avós, de tios que enfrentaram os mares e os ventos de antigamente, embarcações diminutas contra o tenebroso oceano e que só retornavam se guardados pelas súplicas da Boa Senhora.

A procissão de duas imagens é recente, dos tempos da construção da igreja dos veranistas, época na qual os nativos insurgiram-se contra a posição da Imagem voltada para a vila, de costas para o mar, de onde vinham as orações mais recorrentes, salgadas de perigo e medo de morte medonha, incerta, muitas vezes sem choro de corpo presente.

Atendido o apelo, a paz voltou à vida da velha vila e estância gostosa e romântica de veraneio, cativante, acolhedora, balneário a amealhar boêmios e corações mais despojados, amantes de violões que cantavam praieiras de doces e revelados amores, e que falavam de ventos que assobiam em telhados, assanham cabelos da morena e encrespam ondas do mar... tempos que jamais voltarão, é verdade, mas que materializam-se em sonhos no dia da festa santa.

- Saravá !

terça-feira, 18 de maio de 2010

Prato de prata, presente da Seleção Portuguesa a José Alexandre Garcia, então diretor administrativo da Fundação de Esportes de Natal - responsável pela construção do estádio.

A Mini-Copa no Castelão em 1972

http://www.futeboldorn.com.br/historia2/index_10.htm


Apenas sete dias após a inauguração do então estádio Castelão, esta praça de esportes sediaria em junho de 1972, três jogos da Mini-Copa, torneio disputado em todo o Brasil em comemoração aos 150 anos da independência do país. A Mini-Copa reuniu seleções de 10 países e mais 2 seleções continentais (África e Concacaf) que foram divididas em três grupos espalhados por várias capitais do país. Pelo grupo 2, sediado em Recife e Natal, a capital potiguar viu a vitória de Portugal sobre o Equador (3 a 0, em 11 de junho), do Chile sobre o Equador (2 a 1, em 14 de junho) e o triunfo da Irlanda sobre o mesmo Equador (3 a 2, em 18 de junho). No dia 9 de julho, o Brasil derrotaria Portugal por 1 a 0, no Maracanã, com gol de Jairzinho, e conquistaria o título da Mini-Copa.

sábado, 15 de maio de 2010

Natal há 138 anos

Natal há cem anos passados
Veríssimo de Melo

Redinha, anos 30, século XX


Como seria Natal há cem anos passados? Quais as dimensões da cidade, topônimos, festas, superstições, costumes, condições gerais de vida da Província do Rio Grande do Norte aí pelos idos de 1872?

Temos agora em mãos um depoimento de valor histórico, que nos permite visão e comentário em torno dos aspectos mais interessantes da nossa cidade, naqueles velhos tempos.

Documento que não vimos citado pelos nossos historiadores, mas que tem valor não somente histórico, mas igualmente sociológico e antropológico. Trata-se do capítulo "Natal do Meu Tempo", do livro "MEMÓRIAS E DEVANEIOS", de autoria de Lindolpho Câmara, editado em 1938 no Rio de Janeiro. (Devemos ao dr. Marciano Freire a lembrança de nos permitir compulsar o documento).

Esse Lindolpho Câmara, estamos sabendo agora, era homem probo, ligado à tradicional família Câmara, do Estado, tendo exercido postos os mais elevados no funcionalismo provincial e federal.

Comparando-se os dados históricos de Lindolpho Câmara com os do historiador Manoel Ferreira Nobre, ("BREVE NOTÍCIA SOBRE A PROVÍNCIA DO RIO GRANDE DO NORTE"-1877), vemos que eles se completam e ampliam as informações sobre a época. Ferreira Nobre foi o nossso primeiro historiador. Seu livro já obedece a uma sistemática, atendo-se, preferentemente, aos aspectos políticos, educacional, administrativo e sócio-econômico da Província. Lindolpho Câmara, embora consigne alguns dados estatísticos sobre a cidade, estende-se mais a respeito de costumes e tradições. Seu depoimento, menos extenso, é mais pitoresco, mais vivo do que o de Ferreira Nobre. Em muitas passagens, escreve com objetividade e graça.

A primeira impressão de Lindolpho Câmara sobre Natal é a respeito da extrema pobreza da população. Em 1870, a cidade contava 12 mil almas. A população total da Província, segundo o censo de 1872, por ele citado, elevava-se a 233.960 habitantes, número quase idêntico ao que nos dá Ferreira Nobre.

Os que aqui nasciam, diz o autor, em face da precariedade do meio, só tinham condições de ser pescadores, roceiros ou soldados de Polícia. O comércio era pobre. Não havia água encanada, nem esgoto, nem luz. Os poucos lampiões existentes, que queimavam azeite de mamona, antes do querosene, não se acendiam em noites de lua... O 33º Presidente da Província, Henrique Pereira de Lucena, em 1872, pronunciava-se tristemente sobre Natal: Vila insignificante e atrasadíssima do interior”. Daí o trocadilho da época sobre Natal: Cidade? Não-há-tal.

A respeito da mendicância, Lindolpho Câmara afirma, simplesmente, que não havia em Natal, porque ninguém tinha o que dar... Nesse sentido, evoluímos muito.

Natal constituía-se da Cidade Alta e da Cidade Baixa ou Ribeira. As tradicionais lutas entre xarias e canguleiros são mencionadas pelo autor como fato de um século atrás, embora nada tenha visto a respeito. Além dos prédios públicos principais, a casa dos governadores, a Câmara e Cadeia e o Erário, só existiam quase as mesmas igrejas de hoje: a da Matriz, de Santo Antônio, do Rosário e do Bom Jesus.

Os nomes de logradouros e ruas foram quase todos mudados, o que é lamentável, pois eram mais bonitos do que os atuais. O Canto do Mangue, por exempIo, era chamado o Canto das Jangadas. E as ruas principais eram a da Tatajubeira, das Virgens, das Laranjeiras, do Fogo, Rua Grande, Praça da Alegria, Rua da Palha, Rua Nova, Rua dos Tocos, Uruguaiana, Beco Novo. Os logradouros mais famosos eram o Baldo, a grande piscina pública, e o cais do Passo da Pátria, onde ancoravam as embarcações vindas do interior. A única devoção popular conhecida era a da Santa Cruz da Bica, hoje decadente. Há referência a uma lagoa de José ou João Felipe, e que deve ser a atual lagoa de Manoel Felipe.

Os dois mercados existentes eram precários: O da Ribeira funcionava debaixo de uma velha Tatajubeira. O da Cidade Alta, à Rua Nova, sob “frondosas gameleiras”. As medidas e pesos usados na época eram a cuia, a vara e a libra. As moedas eram o xenxém de 10 réis; dobrões de cobre de 20 e 40 réis; notas de 1$000 e 2$000; sendo que a unidade era pataca, equivalente a 16 vinténs.

Lindolpho Câmara faz uma afirmação importante do ponto de vista financeiro: “Naquele tempo, tudo era barato, menos o dinheiro.” É que a desgraçada da inflação ainda não tinha sido inventada pelos economistas...

COMER E BEBER

Parece oportuno verificar o que comia e bebia o natalense há cem anos passados: As frutas, os peixes, o doce, as bebidas, os pratos típicos.

Nos dois mercados, além da feira no Passo da Pátria, encontravam-se várias frutas apanhadas nos sítios e matas em redor da cidade. Umas abundantes ainda hoje. Outras, já raras. Por exemplo: Eram e continuam abundantes, a mangaba, os cajus, cajaranas. Mas já não é fácil, nos mercados, frutas como a massaranduba, guabiraba, camboins, oitis, ingás de corda, como ele chamava. E outras que até desconhecemos, como as ubaias e os guajerus. Todavia, para colher essas frutas, havia que enfrentar os inimigos traiçoeiros dos matos: as formigas de fogo, cobras nas moitas e vespas na galhada. As caças mais abundantes na época eram os jacus, inhambus, cotias e tatus.

Diz Lindolpho Câmara que não havia terra com maior abundância de peixes e crustáceos do que Natal daquela época. Trazidos pelas jangadas dos pescadores, enumeravam-se a cavala, o dentão, a cioba, o pargo, a pescada, a bicuda, o dourado, a corvina, o beijupirá e o cação. Nas praias, através dos currais ou da pesca de arrastão, com tresmalhos ou tarrafas, estavam as tainhas, sardinhas, espadas, palombetas, galos, carapebas, carapicus, bagre, baiacu, agulhas e agulhões. Pescados nos mangues e recifes da Fortaleza, lembra os camarões, lagostas, lagostins, caranguejos, siris e aratus. Outras variedades eram os ouriços, ostras, mariscos, unhas de velho e polvos. De Ponta Negra, apesar da "longitude da travessia", vinham os xaréus. Quanto à carne verde, o autor informa que eram abatidas duas rezes nos dias comuns e três, do sábado para o domingo e dias festivos, para toda população.

A venda dos peixes, nos mercados, era feita tradicionalmente anunciada pelo eco de um grande búzio, "soprado por sujeito de fôlego e que estrondava pela cidade silenciosa até os seus confins".

Os pratos típicos mais famosos parece que eram as "dobradinhas", "cobiça dos gastrônomos", diz o autor, feitas com "livros" ou "folhoso". A propósito desses "livros", conta uma anedota de certo tipo popular, o negro Moisés, servente ou oficial de justiça, que andava sempre de sobre-casaca e cartola. Ao cruzar com o juiz de direito, sobraçando um "livro" (estômago de boi), indagou a autoridade:

- O que levas aí, é a Bíblia? Resposta rápida do negro:

- Não senhor, é o Código Penal.

O autor faz referências a outros pratos cuja fama chegou até nós: os mocotós, para as mãos-de-vaca ou panelada; os miolos, para as fritadas; as tripas e Iínguiças.

Das bebidas, só há registro da cachaça de Papari, que ele chama "a deusa dos ébrios", e a "Iaranjinha". Para as pessoas de categoria, havia a "genebra de Holanda", importada em botijas de barro vidrado.

Já há cem anos certas bebidas se confundiam com remédios poderosos: a genebra era receitada também para cólicas intestinais, defluxeiras, espinhela caída, maus-olhados, sarampo e bexiga recolhida... Hoje, a cachaça corta resfriado e o uísque é bom para o coração...

Em matéria de fumo, o melhor cigarro era o de fumo picado em papel de milho. Só o nome depreciativo chegou até nós: Era o mata-rato...

SERENATAS E TERTÚLIAS

Há cem anos passados, Natal apresentava alguns costumes e tradições que chegaram até nós. Outros, porém, já se diluíram no tempo. Praticamente desapareceram da cidade em crescimento.

Claro que ainda hoje, por exemplo, temos serenatas e tertúlias (estas com outros nomes). Mas os “Cantões”, - de que nos fala Lindolpho Câmara, - já desapareceram. As festas de São João e Natal ainda persistem embora perdendo sempre o brilho e o entusiasmo de antigamente.

Examinemos.

As serenatas, há cem anos atrás, nas noites de lua, eram feitas ao som de violões, flautas, clarinetes e pistões. (Ora, quem sair, nos dias de hoje, com piston e clarinete, pela madrugada, estará muito arriscado a ser levado pela Rádio-Patrulha. A lei do silêncio será logo lembrada, pelo telefone.

Lindolpho Câmara nos fala com tal entusiasmo das serenatas do seu tempo, que chega a afirmar: “... até as pedras das calçadas se levantavam para ouvir” os seresteiros.

Cantavam coisas assim:

“Linda deidade

chega à janela,

vem ver a lua

Como está bela.”

(A lua, coitada, depois que os astronautas estão lá dentro, já está meio desacreditada pelas moças).

Mas frisa o autor que não era só a janela que se abria para os seresteiros. Era a porta, para deixar entrar "o bando canoro". E o trago de vinho do Porto era servido a todos, "em um copo único” .

A tradição do copo único, que já não existe, lembra a do mate gaúcho, servido de igual maneira. Com a divulgação dos princípios de higiene, ninguém mais se arrisca a beber no copo usado até mesmo por uma donzela ...

As festinhas familiares de hoje, aniversários, comemorações de qualquer espécie, entre amigos, eram chamadas antigamente de "tertúlias". Lindolpho Câmara refere que a falta de clubes recreativos na cidade determinava as comemorações caseiras. Parece que esse não era o motivo principal. Hoje, a cidade está cheia de clubes e as festinhas familiares continuam. São as mais gostosas.

Naquele tempo, já se recitava ao som de Dalila, um dedilhado ao violão, que chegou até nós. Alguns conservadores ainda fazem questão da Dalila, para recitar besteira.

Numa dessas tertúlias, há cem anos passados, o autor lembrou distinta dama da sociedade, que a todos encantou interpretando uma melodia e acompanhando-se ao violão. Atualmente, de tanto "encher" a cidade as Maysas Matarazzos e outras vedetes do gênero, é mais aplaudida a dama que não canta e nem toca violão.

Os "Cantões" eram reuniões permanentes de pessoas amigas, nas calçadas de certas residências, para bater papo e falar da vida alheia. O mau hábito de falar da vida alheia é universal e eterno. Mas em Natal, já agora, não se fala apenas em locais determinados. Fala-se por toda parte.

Lembra Lindolpho Câmara o "cantão" famoso do capitão José Antônio de Souza Caldas, na cal-çada da sacristia da Matriz. O capitão, que morava defronte, fornecia as cadeiras e a turma se reunia, toda tarde. Era uma roda de conservadores, diz o autor, o que excluía os liberais da época.

Sabemos hoje, de raros casos de pessoas distintas de Natal, que ainda se reúnem em cadeiras nas calçadas, para papear. Mas, Deus nos livre de citá-Ios nominalmente e nem lembrar de quem ali se fala e toda a cidade sabe no dia seguinte ...

O perigo maior de sentar na calçada, nos dias atuais, para falar da vida alheia, não é tanto devido à possível repercussão dos assuntos tratados. O perigo mesmo está na passagem dos chamados"playboys ", com suas máquinas voadoras, podendo levar todos nós de roldão, para o beleléu ...

SÃO JOÃO E NATAL

Duas grandes festas do povo, na cidade, há cem anos passados, eram também o São João e o Natal, afirma o memoralista Líndolpho Câmara.

No São João, acendiam-se as fogueiras diante dos lares pobres ou remediados, para assar o milho verde e as batatas doces. Dentro das casas, armavam-se altares de banqueta, com a efígie de São João ao alto. Entoavam-se cantos alusivos à data e na mesa de jantar estavam os pratos de canjica e bolos os mais variados.

Moças e rapazes tiravam sortes, - como ainda hoje, - para saber com quem casavam. À meia-noite, diante do altar, cumpria-se velha superstição: Todos deveriam olhar um espelho, para verificar se viam a própria cabeça. (É claro que todos a viam). Mas afirmava-se que, aquele que não a visse, deveria logo mandar encomendar o caixão mortuário ... Variante da mesma alusão, que já registramos no passado, mandava que se olhasse para o fundo de uma jarra com o mesmo fim.

Sobre a festa do Natal, o autor refere que saíam às ruas o Bumba-meu-boi, o samba, o maracatu e o batuque.

A referência ao maracatu é curiosa. Sabíamos da existência do tradicional maracatu no Recife, e, mais recentemente, em Fortaleza. Mas nunca tivemos notícia de maracatu em Natal. Pena que o autor não tivesse descrito o folguedo popular.

Nas casas de famílias, armavam-se os "vistosos presépios", a nossa verdadeira tradição latina, hoje praticamente substituída pelas chamadas "árvores de natal", pagãs e sem qualquer vinculação com a tradição brasileira e portuguesa.

À meia-noite, informa Lindolpho Câmara, serviam-se as comidas típicas, algumas "hoje" quase desconhecidas: os pastéis de carne de porco, o chouriço, os doces secos, os sequilhos, as castanhas de caju confeitadas.

Os cordões das Pastorinhas invadiam as casas, entoando os cânticos tradicionais:

"Entrai, entrai Pastorinhas,

entrai, entrai em Belém,

vinde ver nascido

Jesus, nosso Bem".

É preciso considerar o comportamento das moças nessa época, segundo refere o autor. O recato era rigoroso: ''Não podiam por o pé fora do sapato, não podiam cruzar as pernas, nem falar alto nem comer qualquer iguaria à porta ou à janela, nem olhar para rapazes". O namoro era considerado indecoroso. As moças só casavam com quem os pais determinavam.

Conta, a propósito, o que se verificou na casa do Dr. Loló, senhor de engenho no Ceará-Mirim. Certo dia, apareceu um sujeitinho para pedir a mão de uma das suas filhas em casamento. Dr. Loló reuniu as meninas, avisou-as antecipadamente de que não deveriam aceitar a proposta e mandou-as para a sala. Falou na presença de todos:

- O sr. Manuel veio pedir uma de vocês em casamento. Qual a que quer?

- Eu não quero, disse uma.

- Eu também não, disse outra.

Então o Dr. Loló exclamou diante do fracassado pretendente:

- Está vendo, Manuelzinho, elas não querem. Não posso satisfazer o seu pedido, embora fosse muito do meu agrado ...

Mas, apesar disso, é fora de dúvida de que as moças namoravam e casavam, vencendo ou driblando os obstáculos paternos. E havia muitas que fugiam, exatamente como hoje.

MEIOSDE COMUNICAÇÃO

Quanto menor a cidade e mais pobre, mais precários são os seus meios de comunicação. Por aí já se tem uma idéia de como seriam os veículos de comunicação na velha cidade do Natal, há cem anos passados.

Das memórias de Lindolpho Câmara, que estamos comentando, destacam-se, nesse sentido, os sinais semafóricos, através do telégrafo ótico da Catedral e o movimento dos carretos à cabeça, em animais e carros de bois.

Esse telégrafo, por meio de bandeiras e cores, montado no alto da torre da Matriz, foi também um dos nossos alumbramentos na meninice. Muitas vezes, ficávamos horas esquecidas sentados no telhado de casa, só prá ver os escoteiros mudar as bandeiras coloridas. Mesmo sem entender o significado dos sinais, estamos convencidos, hoje, de que aquele serviço foi, na verdade, a nossa primeira TV a cores.

Temos agora em mãos o folheto intitulado "CÓDIGO DO TELEGRAFO ÓPTICO", trazendo o decreto estadual n.º 156, de 18 de novembro de 1921, do Governador Antonio J. de Mello e Souza, que restabeleceu o serviço semafórico, sob a direção da Associação dos Escoteiros do Alecrim.

Segundo as "explicações", o telégrafo começaria a funcionar a "um quarto antes do nascimento do sol terminando um quarto de hora depois do ocaso". São centenas de convenções, de acordo com o Código Marítimo Internacional. Mas o nosso, da Catedral, só empregava três bandeiras – azuis e vermelhas, quadradas e em forma de quadriláteros, - e três galhardetes.

Entre outras informações, os sinais indicavam a saída e entrada dos navios; se eram de guerra ou transporte; nacionalidade; se estavam passando noutra direção ou vinham ancorar em Natal; se havia enfermo a bordo; se pediam o prático; nome da embarcação e da companhia de navegação, etc. Havia até um sinal que indicava se o navio batera na “baixinha”, a pedra famosa onde encalharam várias embarcações.

O telégrafo ótico prestou serviço real à população natalense desde o século passado até, talvez, a década de trinta.

Sobre os outros meios de comunicação, convém registrar a observação de Lindolpho Câmara quanto ao nosso primeiro carro de passeio.

Afirma que, há cem anos passados, Natal não dispunha de um só veículo para tráfego na cidade. Tudo era feito a pé ou em animais. E ninguém cogitava de adquirir nem mesmo "uma caleça ou um tilbury".

Daí, relata coisas incríveis como estas: O Presidente da Província, com o seu séquito, partia a pé, do Palácio (na rua do Comércio, na Ribeira), subia a ladeira e vinha abrir a sessão da Assembléia Legislativa na Cidade Alta. Diz ele: " ... chegavam esbaforidos, suarentos, que quase nem podiam subir as escadas do edifício... " Finda a cerimônia, tornavam pela mesma rota ao Palácio.

Os enterros eram penosos, acrescenta. Todos "chegavam deitando a alma pela boca, menos o defunto". Os casamentos "eram ridículos": Todo mundo a pé, inclusive os noivos, na frente, subindo e descendo ladeira, dando topadas nas pedras pontudas ...

Só nas proximidades da proclamação da República, o dr. Celso Caldas, médico, adquiriu um carro usado, no Recife, nele atrelando dois cavalos magros. Fazia as visitas aos doentes nesse carro e também passeava, emprestando-o, muitas vezes, para cerimônias oficiais.

Em conclusão: Foi esta a imagem que pudemos inferir de Natal há cem anos passados, segundo o depoimento do Dr. Lindolpho Câmara. Era, positivamente, uma cidade pobre, desprovida dos meios mais elementares ao desenvolvimento urbano. De certa forma, refletia a influência do plano nacional. Todavia, nestes cem anos de existência, Natal cresceu e desenvolveu-se muito mais do que poderiam imaginar os já nascidos nas primeiras décadas deste século XX.

Daqui a cem anos, isto é, no ano de 2072, o que dirão de nós os nossos pósteros?

Possivelmente, ainda nos considerarão subdesenvolvidos como nós achamos hoje os nossos ante-passados do ano de 1872. E assim é a vida ...

Instituto de Ciências Humanas – UFRN - ICH Revista, Natal, v.1, n.3, jul. 1972


quarta-feira, 28 de abril de 2010

Cidade Berço

Eduardo Alexandre


Anunciação, festa. Predestinação. Estrela-guia encravada forte, à sombra do marco de posse da terra Brasil, sonho da era esperada, sinal. Cidade que cresceu lenta, no tropicopontal atlântico, contemporâneo do primitivo chegar náutico e do cibernético/dígito/espacial tempo também de favelas e orelhões, antenas ao mundo, claro, universal: leste.
Primeiras luzes da Sulamérica. Conversa tradicional das personagens do Grande Ponto, becos da velha Ribeira, esquinas e cais; agitos do Baixo, palco oficial de chegada, início, confirmação: indicação de magos entre coqueiros. Micro-universo mágico, figura poética de vidas e almas: cidade bruxa – o ego não ousa desvendar os seus mistérios.
Filhos simples de cidade simples, cativa dos seus amores folclóricos e lúdicos, de fandangos e bumbas de etnia remota, múltipla. Sentinela atenta. Salto. Trampolim de vitórias no além mar. Pedra guardiã, fortaleza. Sangue cívico de várias jornadas. Luta.
Burgo de História e estórias, casos e causos, transmitidos pelos que fazem o seu cotidiano sério, boêmio e descompromissado, colorido pelo sol permanente: Nordeste. Nova Amsterdã imposta. Londres Nordestina na visão do poeta.
Galo madrugador, fé: Rosário de imagens e lendas do Rio Grande, o Potengi. Tapioca gostosa. Peixe frito no dendê.
Canto do Mangue, Ponta Negra, mercado da Redinha, veraneio com cachaça, tira-gosto com caju. Ginga. Cidade manhosa, erguida entre dunas, bela em arrecifes e explosões de ondas, é brisa afável, é verde nas praias e morros da mata Atlântica.
Habitat natural encantado da tribo dos índios comedores de camarão, os Potiguares. Papa-jerimum de verdade, cidade guardada pela natalidade/infância, formação e dengo de reis e duendes, cidade circo de palhaços-guerreiros, antevisores da nova aurora: facho, farol, alegria do parto.
Misto de encanto e descobertas. Martelo à luz da manhã. Magia. Cidade viva. Eterna na memória dos seus mortos. Cidade nua. Cidade crua. Cidade santa, segredo: Cidade Berço.